Pedrógao Grande. Responsáveis da Ascendi entre os três novos arguidos

Total de arguidos subiu para 16. Incêndios de junho de 2017 provocaram 66 mortos

Paula Sofia Luz

Entre os três novos arguidos no inquérito que investiga os incêndios de junho de 2017, em Pedrógão Grande, que provocaram 66 mortos, estão elementos da Ascendi Pinhal Interior, confirmou esta tarde a administração da empresa. "Nos últimos dias foram constituídos, a título individual, outros arguidos desta Sociedade no âmbito da investigação ao complexo de incêndios de Pedrogão Grande e Concelhos limítrofes, ocorrido entre 17 e 24 de junho de 2017", refere uma nota de imprensa da Ascendi, enviada em resposta ao DN. Porém, a empresa não esclarece se os três novos arguidos (são agora 16, no total) são apenas funcionários ou se entre eles está algum membro do conselho de administração. A Ascendi Pinhal Interior disse ainda ao DN que "a Administração e os seus colaboradores têm vindo a colaborar com as autoridades judiciárias, estando seguros de que cumpriram rigorosamente todo o quadro legal, não lhes sendo imputável qualquer responsabilidade".

Até hoje, estavam identificados como arguidos os presidentes de Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, e o ex-autarca de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, derrotado nas autárquicas de outubro pela atual presidente, bem como o ex-vice presidente da Câmara de Pedrógão Grande, José Graça, responsável pela gestão de combustíveis. Também o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol, são arguidos neste processo. Os outros já conhecidos são Margarida Gonçalves, da Proteção Civil de Pedrógão, António Castanheira, também da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, e Sérgio Gomes, comandante distrital de Leiria. Há ainda arguidos entre responsáveis por empresas que deviam ter feito a limpeza e a gestão de combustível.

Em junho, a Procuradoria da Comarca de Leiria indicava que havia 12 assistentes no inquérito que previa estar finalizado no prazo de dois meses. Note-se que a Procuradoria da Comarca de Leiria tem vindo a anunciar os arguidos em grupos de três. "No âmbito do inquérito onde se investigam as circunstâncias que rodearam os incêndios de Pedrógão Grande, foram constituídos mais três arguidos. Assim, o processo tem, neste momento, 16 arguidos, todos pessoas singulares", refere a informação da Procuradoria publicada esta sexta-feira no seu sítio na Internet.

A mesma nota reafirma que neste inquérito, dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, "estão em causa factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência".

Os incêndios que deflagraram no concelho de Pedrógão Grande, a norte do distrito de Leiria, em junho de 2017, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos contabilizados.

"No âmbito do inquérito onde se investigam as circunstâncias que rodearam os incêndios de Pedrógão Grande, foram constituídos mais três arguidos. Assim, o processo tem, neste momento, 16 arguidos, todos pessoas singulares", refere a informação da Procuradoria hoje publicada no seu sítio na Internet.

A mesma nota reafirma que neste inquérito, dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, "estão em causa factos suscetíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência".