PCP acusa JP de Braga de "uso e abuso do poder municipal"

Carlos Almeida apontou como exemplos a participação do movimento em eventos como a Rampa da falperra, o Braga Sounds Better e a Feira Internacional de Agricultura

Artur Cassiano
Fachada da Câmara Muncipal de Braga© Arquivo Global Imagens

O PCP acusou esta segunda-feira a Juventude Popular de Braga de "uso e abuso do poder municipal", promovendo-se através de eventos autárquicos, acusação rejeitada pelo líder daquela estrutura, que respondeu que são os comunistas que estão "habituado a instrumentalizar" organizações.

Segundo o vereador comunista na Câmara Municipal de Braga Carlos Almeida, na reunião do executivo de hoje, há uma "promiscuidade inaceitável" no desempenho de Francisco Mota, que além de presidente da Juventude Popular (JP) de Braga é assessor do vereador Altino Bessa, eleito pelo CDS-PP na Coligação Juntos por Braga.

"É inaceitável o uso e abuso do poder municipal para promover uma estrutura partidária. Há aquilo que é a dinâmica de uma juventude partidária, tem o seu direito, o que não pode acontecer é aquilo que é a sede de uma juventude partidária ser o gabinete de um pelouro municipal", afirmou Carlos Almeida.

O comunista apontou como exemplos a participação da JP de Braga em eventos como a "Rampa da falperra, o Braga Sounds Better, na Feira Internacional de Agricultura" onde, segundo apontou, contaram "com presença identificada de uma estrutura juvenil partidária que não devia ter esse palco".

Em resposta, no final da reunião camarária em declarações aos jornalistas, Francisco Mota rejeitou as acusações do comunista, a quem devolveu acusações.

"Isto não interessa a ninguém, não interessa ao comum dos bracarenses, é política de vão de escada"

O líder da JP de Braga referiu que "já não é a primeira vez que [Carlos Almeida] vem a público e não é o facto de ele repetir ou tentar falar mais alto que passa a verdade o que ele diz".

Francisco Mota respondeu ainda que "não é tradição da JP fazer perseguições a quem pensa diferente, por isso é que houve o 25 de novembro, para que não houvesse uma ditadura de esquerda, nomeadamente do PC em Portugal".

O líder centrista explicou que a presença da JP nas atividades mencionadas foi devido ao programa da estrutura nacional "Semear Portugal", em parceria com a Quercus.

"Não exigimos a ninguém que se filiasse. Ao contrário do PC, que instrumentaliza as organizações, nós não. O PC é que está habituado a instrumentalizar organizações, sindicatos, nós não", acusou de volta.

Francisco Mota deixou ainda outra nota: "Enquanto houver um comunista a criticar quer dizer que estamos a fazer o nosso trabalho".