Diretores pedem bom senso nas negociações entre Governo e professores

Sindicatos de professores e Governo reúnem-se esta sexta-feira, às 15.00, com uma nova ameaça de greve em cima da mesa

Joana Capucho
Manifestação de pais contra a greve às avaliações em julho © Paulo Cunha / LUSA

Com uma nova ameaça de greve em cima da mesa, os representantes dos diretores de agrupamentos e escolas públicas pedem "bom senso" e que haja "fumo branco" na reunião entre os sindicatos de professores e o Ministério da Educação, agendada para esta sexta-feira, às 15.00.

Manuel Pereira, presidente da direção da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), apela a que "haja algum bom senso das partes de forma a conseguir encontrar soluções que permitam motivar a classe docente, que tão desmotivada e angustiada tem estado".

Sem alterações de posição no braço-de-ferro que dura desde novembro do ano passado, Governo e sindicatos voltam a sentar-se à mesa, esta sexta-feira, pelas 15:00, no Ministério da Educação, depois de um breve interregno nas negociações, em julho, para apurar numa reunião técnica os custos reais e impacto orçamental das reivindicações dos professores.

Ao DN, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que espera que "haja fumo branco, positivo e de consenso, e que a nuvem negra que está no horizonte da educação se dissipe".

Se as partes não chegarem a um entendimento, o presidente da ANDAEP acredita que "os sindicatos vão partir para lutas com greves, manifestações e concentrações, que não são nada benéficas para as escolas públicas, que carecem de paz e estabilidade".

Filinto Lima afirma que "não queria que o final do ano letivo passado fosse transportado para o início deste ano letivo". Reconhece, no entanto, que "tendo em conta o que tem sido dito pelos representantes dos professores, é isso que vai acontecer se não houver acordo".

Como representante de uma escola, Manuel Pereira, presidente da ANDE, sublinha que "é preciso encontrar soluções para motivar professores, para criar estabilidade e tranquilidade nas escolas. Quem está no Ministério da Educação e quem representa os professores tem obrigação de trabalhar para que isso aconteça".

Sobre a possibilidade de mais uma greve, Manuel Pereira apela a que seja encontrada estabilidade: "Todas as greves que venham a acontecer influenciam negativamente o trabalho das escolas e desmobilizam professores e alunos. Tudo o que provoque instabilidade nas escolas é negativo".

O representante diz que "não vale a pena ter ilusões". "Com uma classe docente desmotivada, angustiada e a sentir-se tratada de forma injusta, não podemos estar à espera que o processo educativo decorra com normalidade", afirma

Embora a classe docente "trabalhe historicamente contra ventos e marés, queiramos ou não, o trabalho, o empenho e a dedicação sofrem com isto".

Sobre o tempo de serviço que está em discussão - nove anos, quatro meses e dois dias - Filinto Lima lembra que "nesse período registaram-se os melhores resultados de sempre, bem como uma diminuição acentuada nas taxas de retenção e no abandono escolar. É um paradoxo".