Calor aperta toda a semana. E o risco de incêndio mantém-se

Temperaturas máximas serão sempre acima dos 30 graus nos próximos dias. Há fogos em vários distritos mas nenhum provoca, de momento, especial preocupação. Época de caça abre condicionada

David Mandim
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

As temperaturas elevadas que se fazem sentir no país, que se irão prolongar durante toda a próxima semana, não estão a causar, até ao momento, incêndios de maior dimensão no país. De acordo com a página oficial da Proteção Civil, há mais de uma dezenas de incêndios no país, com meios mobilizados em vários distritos, mas nenhum dos fogos é significativo.

No total, às 12.30, estavam no terreno 209 bombeiros, apoiados por 59 viaturas e cinco meios aéreos. O distrito de Viana do Castelo é o que mais homens tem a combater chamas com 72 bombeiros em ação. Na capital de distrito decorrem as Festas da Senhora da Agonia e a tradicional serenata com fogo-de-artifício, hoje à noite, está cancelada apesar do presidente da Câmara ter solicitado ao Ministério da Administração Interna autorização para que o fogo tenha lugar. José Maria Costa argumenta que não há risco, já que é junto ao rio Lima, mas o evento permanece como cancelado e o Governo já disse que não havia exceções.

Os distritos de Braga, Bragança, Guarda, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu estão em alerta vermelho, sendo que para esta decisão contam não só as condições meteorológicas, temperaturas elevadas, humidade relativa baixa e vento, mas também "o fator humano", um aumento de população com a chegada de emigrantes, e os festejos em várias localidades.

As temperaturas mantêm-se altas, com as mínimas para hoje e para o resto da semana a serem acima dos 20 graus, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). As máximas são muito altas, com previsões para todo o país de temperaturas acima dos 30 graus, e com distritos a poderem registar mais de 40 graus. Cenário que se manterá, diz o IPMA, até ao próximo fim de semana.

A caça nos distritos que estão em alerta vermelho devido ao agravamento de risco de incêndio está condicionada, ainda que não proibida.

Hoje começam a caça à rola e ao pombo, numa altura em que estão em situação de alerta, até quarta-feira, os distritos de Braga, Bragança, Guarda, Porto, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu, segundo um despacho publicado pelo gabinete do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita. A situação de alerta decorre das previsões de tempo quente e de a Autoridade Nacional de Proteção Civil ter colocado aqueles distritos em alerta vermelho, o mais grave.

No despacho do ministro afirma-se que é "proibido o acesso, circulação e permanência no interior dos espaços florestais, previamente definidos nos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios, bem como nos caminhos florestais, caminhos rurais e outras vias que os atravessem".

O despacho do ministro não faz qualquer referência aos caçadores. Ouvido pela Lusa, o presidente da Confederação Nacional de Caçadores de Portugal, Fernando Castanheira Pinto, disse que a federação recebeu muitas dúvidas sobre se é possível caçar ou não, explicando que tal decorre da interpretação do despacho.

"Não há uma proibição de caçar, mas há constrangimentos nalguns locais dos sete distritos em aviso vermelho", disse o responsável à Lusa, aconselhando os caçadores desses distritos a, em caso de dúvida sobre se podem caçar num determinado local, não o fazerem. Castanheira Pinto frisou que a federação está "completamente de acordo" com o despacho.