25 anos após Aquaparque: "O que faz mais falta numa piscina é vigilância"

O presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Piscinas (APP) diz que muito foi feito nos últimos 25 anos, desde o Caso Aquaparque, mas ninguém pode dar garantia de uma segurança a 100% se não houver vigilância em permanência, seja em piscinas públicas ou privadas. Uma criança morreu ontem, depois de ter ficado presa numa piscina em Azeitão há uma semana

Ana Mafalda Inácio
Uma vigilância em permência e idónea em piscinas públicas ou privadas continua a ser essencial, apesar de todas as regras de construção e de segurança que possam ser aprovadas, defende associação© Gloabal Imagens

José Tavares dos Santos não tem dúvidas quando diz que o mais importante numa piscina terá de ser sempre "a vigilância idónea e em permanência de um adulto", sobretudo quando há crianças. É presidente da Associação Portuguesa de Profissionais de Piscinas e Instalações de Desportos e Lazer (APP) há 20 anos e também é avô. E esta tem sido sempre uma das suas preocupações, quer a nível profissional quer pessoal. "Quando os meus netos se reúnem lá em casa não arredo pé", conta-nos.

Salvaguarda que só tem conhecimento pela comunicação social sobre a situação que aconteceu há uma semana e que envolve uma criança de seis anos, seu nome Vic, de nacionalidade belga, que terá ficado presa no interior de uma piscina, em Azeitão. Não se sabendo ainda o porquê. A criança teve de ser reanimada e transportada para o Hospital D. Estefânia, vindo a falecer na madrugada de dia 23. Por isso, "não sei bem ou não tenho dados mais concretos" para analisar a situação, mas José Tavares dos Santos garante que, "atualmente, as piscinas em Portugal já estão dentro das regras europeias. Temos muita qualidade na construção, instalação, etc. Há uma diferença enorme do que acontecia há 25 anos, quando foi o caso Aquaparque, mas o que acontece é que por muito que se coloquem barreiras de segurança, como uma vedação, um alarme, uma cobertura para a água ou um abrigo, deve haver sempre um vigilante adulto, sobretudo quando há crianças."

"Atualmente, as piscinas em Portugal já estão dentro das regras europeias. Temos muita qualidade na construção, instalação"

José Tavares dos Santos acrescenta que esta preocupação relativamente à vigilância, além da do uso de um dos equipamentos de segurança, tem sido sempre uma das recomendações da associação que dirige e que foi uma das fundadoras da Federação das Associações Nacionais de Piscinas e de Parques. "É imprescindível que exista alguém a vigiar. Não há qualquer sistema de segurança que garanta a 100% que um acidente não possa acontecer. O mais importante é ter sempre uma pessoa idónea e vigilante em permanência", afirma, acrescentando: "Os acidentes podem sempre acontecer. Uma piscina é um equipamento excelente para a prática de natação, para reunir a família e os amigos, mas há sempre que ter cuidados reforçados com a segurança".

Como presidente da APP, José Tavares dos Santos, diz que depois do Caso Aquaparque, em 1993, em que duas crianças foram sugadas por uma tubagem e morreram, "muito se fez em Portugal." Aliás, "fez-se muitíssimo. Houve uma diretiva do Centro Nacional de Qualidade que impôs regras quanto à construção e segurança. Portanto, os fabricantes começaram a preocupar-se mais, os instaladores e quem faz a manutenção também, e o próprio público em geral. As regras estão acauteladas." Por exemplo, explica, hoje em dia, "quando se fazem piscinas de ralos de fundo, já há uns que são especiais, para que se houver uma sucção ninguém fique lá preso."

Mas, por outro lado, e no caso de piscinas de uso doméstico, "é sempre recomendável que se use um dos quatro equipamentos já referidos e que podem prevenir um acidente. É o caso das barreiras, de uma vedação à volta da piscina, o alarme, que aciona no caso de alguém cair à água, uma cobertura rígida em cima do plano de água, e, por último, um abrigo, uma instalação metálica alta onde as pessoas podem andar lá dentro."

De acordo com o que referiu ao DN, estes equipamentos de segurança não são ainda obrigatórios por lei em Portugal. Aliás, a França é o único país da Europa que já legislou sobre o assunto, tornando obrigatório o uso de um destes equipamentos, "o conhecimento que temos é que a maioria das pessoas utiliza o alarme", diz-nos.

As regras estão definidas e são iguais em qualquer parte do mundo, a não ser que não estejam a ser cumpridas, mas os cuidados têm de ser redobrados sempre que se frequenta uma piscina, alerta a Associação dos Profissionais de Piscinas.