Governo corrige: surtos nas escolas são afinal 68, e não 477

Gabinete do secretário de Estado da Saúde emitiu uma nota a retificar os números divulgados. "Não nos parece que as escolas sejam focos de grande intensidade", afirmou António Lacerda Sales

Portugal tem 68 surtos ativos de infeção em escolas pelo novo coronavírus, e não 477, corrigiu ao fim da tarde desta sexta-feira (20) uma nota enviada às redações pelo gabinete do secretário de Estado da Saúde, António Lacerda, que tinha avançado com um número de 477 durante a conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia de covid-19.

"Por lapso, foram referidos os surtos ativos no país a 16/11/2020, identificados pela DGS, no total de 477, em detrimento do número de surtos ativos em creches/escolas/universidades (ensino público e privado), no total de 68, e que agora se clarifica", esclarece o gabinete de António Lacerda.

Os surtos identificados a distribuem-se da seguinte forma: 3 na região Norte, 11 na região Centro, 50 na região de Lisboa e Vale do Tejo, 2 na região do Alentejo e 2 na região do Algarve, no total de 68 em Portugal Continental.

"Não nos parece que as escolas sejam focos de grande intensidade", tinha referido António Lacerda Sales na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia da covid-19.

O secretário de Estado da Saúde tinha indicado haver 291 surtos em escolas na região de Lisboa e Vale do Tejo, 72 na zona Centro, 58 na zona Norte, 29 no Alentejo e 27 no Algarve. Mas esses números referem-se, afinal, ao número total de surtos identificados na comunidade, e não apenas a escolas.

"Nada nos antecipa" que seja necessário mudar o calendário escolar, referiu o governante, que considerou que "as autoridades de saúde fazem bem o trabalho de segregação do que são os casos positivos, contactos de alto risco e contactos de baixo risco".

Turmas, zonas de escolas ou estabelecimentos inteiros só fecham "caso a autoridade de saúde o entenda, de acordo com a estratificação do risco".

OMS quer escolas abertas

A política da Organização Mundial de Saúde (OMS) é atualmente de manutenção das escolas abertas durante a pandemia.

"Devemos assegurar o ensino aos nossos filhos", afirmou esta quinta-feira o diretor da OMS para a Europa, Hans Kluge, sublinhando que as crianças e adolescentes não são impulsionadores principais do contágio e que o fecho de escolas não é eficiente.

Kluge frisou também que os confinamentos são "uma perda de recursos" e que provocam muitos efeitos secundários, como danos na saúde mental ou aumento da violência de género.

De acordo com o mesmo responsável, esta medida seria evitável se o uso de máscaras fosse superior a 90% entre a população.

Ter mantido a maioria das escolas abertas na Europa durante quase 100 dias seguidos é considerado um motivo de satisfação, já que o encerramento pode afetar também a saúde mental dos jovens e ter consequências sociais.

Apesar de o uso de máscara não ser "um remédio," e de dever ser completado com outras medidas, quando se verifica uma utilização inferior a 60%, é "díficil evitar confinamentos", disse, em conferência de imprensa digital, em Copenhaga, sede do escritório regional da OMS.

A defesa das escolas e o uso de máscaras para evitar os confinamentos foram duas das mensagens centrais de Kluge, que classificou como "grande esperança na luta contra o vírus", as notícias surgidas nos últimos dias sobre avanços em vários ensaios de vacinas para a covid-19.

* atualizado às 19.48, com a retificação dos números enviada pelo gabinete do secretário de Estado da Saúde

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