Meio país sem pedopsiquiatras. As 1200 razões para a doutora Elisa não se reformar
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Meio país sem pedopsiquiatras. As 1200 razões para a doutora Elisa não se reformar

Elisa Vieira é há 24 anos a única pedopsiquiatra do distrito de Bragança. Vai reformar-se dentro de semanas e não há ninguém para substituí-la. O interior de Portugal está a ficar sem cuidados de saúde mental infantil. Isso é um problema para o país inteiro.

No último ano, Elisa Vieira deu 1200 consultas. Em 90% dos casos, atendeu crianças na Unidade de Pedopsiquiatria de Bragança, um edifício amarelo implantado num terreno adjacente ao hospital do Nordeste. Ali desagua uma boa parte dos problemas de infância do distrito. Vêm miúdos com défice de atenção ou sintomas de hiperatividade, vêm crianças com surtos psicóticos e distúrbios graves, vêm vítimas de todo o tipo de abusos.

As paredes do seu gabinete estão forradas com desenhos que acumulou ao longo de 24 anos de serviço. Em cima da secretária costuma estar um cesto com rebuçados, que oferece a cada paciente assim que entra na sala. E no Natal não é raro distribuir presentes pelos miúdos que aparecem mais vezes - uma caneta ou uma caixa de lápis de cor. Enquanto vai contando a história dos desenhos mais emblemáticos, toma uma decisão: "Não consigo tirar tudo isto das paredes. Vou deixá-los todos aqui. Se isto vai ficar vazio, bem posso deixar os desenhos."

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