Mudou o turno, chegou a greve aos comboios da Linha de Cascais

No regresso a casa, pelas 17.00, deixaram de circular comboios na Linha de Cascais. Outras linhas suburbanas são afetadas pelas greve dos comboios.

"Cheguei agora à estação e não há comboios para Paço de Arcos, vou ter de apanhar um táxi", contou ao DN um utilizador. Eram 17.07 quando chegou à estação do Cais do Sodré. Acreditava que a greve da CP, Infraestruturas de Portugal e EMEF não afetaria o seu regresso a casa.

Pela tarde, a circulação dos comboios suburbanos de Lisboa e Porto está a sofrer "fortes perturbações" devido à greve de 24 horas do setor ferroviário, disse à Lusa fonte sindical, ​a​​​​​​diantando ainda que os de longo curso "estão suprimidos".

"Tudo quanto é longo curso está suprimido e deve ser o cenário ao longo do dia. Ao nível dos regionais suburbanos de Lisboa e Porto há fortes perturbação, a própria CP admitiu que não conseguir fazer metade dos comboios na zona da grande Lisboa", disse à Lusa José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS).

Anteriormente, a Infraestruturas de Portugal (IP) tinha informado que no que respeita aos "comboios urbanos de Lisboa, estão a ser asseguradas 100% das circulações para as ligações com destino a Sintra, Meleças, Castanheira e Cascais, assim como entre o Barreiro e Praias do Sado".

Uma manhã tranquila

"Até temos menos pessoas esta manhã aqui", diz Wilson Pinto, segurança na estação do Cais do Sodré. Mas podiam ter vindo. "Está a funcionar normalmente".

Na parede, a CP afixou informação sobre a greve desta sexta-feira, alertando para a ausência de serviços mínimos. "Mas há mais do que serviços mínimos, está normal", diz o segurança. Só o comboio rápido para Oeiras foi suprimido. "Entre e aproveite", diz Wilson, apontando da direção das linhas. Os visores marcavam 9:24, 9:36, 10:00...

Outro sinal de que este não é um dia realmente normal é que a bilheteira está encerrada. Restam as máquinas automáticas.

O comboio da Fertagus que atravessa a ponte 25 de abril tem estado a funcionar (os trabalhadores desta empresa não aderiram à greve mas poderiam ser afetados pela paragem da Infraestruturas de Portugal) e na Linha de Sintra também estão a circular comboios. Um por hora, nos cálculos da segurança da estação do Rossio.

Turistas adiaram visita a Sintra

Cristina e Filipa Freitas, irmãs, esperaram uma hora na estação de Monte Abraão pelo comboio que as trouxe ao Rossio. "A última greve transtornou mais", diz Filipa ao DN. Ambas tinham acabado de chegar no comboio que entrou na gare às 10.00.

Na estação lisboeta, três polícias de serviço dizem que se nota muito menos gente na estação. "Antecipavam a greve e arranjaram alternativas", diz um deles. O mesmo não podiam dizer os turistas que tinham escolhido esta sexta-feira para conhecer o palácio da Pena ou de Monserrate, em Sintra.

As bilheteiras estão fechadas e formam-se filas longas nas máquinas automáticas. É uma pequena Babel, cada um a falar o seu idioma. "Só turistas", confirma o trabalhador com o colete da CP, que ajuda as pessoas a chegarem ao destino. Diz que são menos do que é hábito. Ainda assim, é onde se regista maior aglomeração de gente.

Um casal de Sevilha conta ao DN que vai ficar na fila e comprar bilhetes para está sábado precisamente por causa da greve. Adiaram a visita um dia. "Podemos ir, mas não nos garantem que podemos regressar". É nesse momento que outro turista se vira para trás e entra na conversa. "Há greve?"

Com a mudança de turno, à tarde, o cenário pode passar de suprimidos a zero e sem serviços mínimos. "Hóstia", diz, preocupado, passando do castelhano ao russo para explicar à namorada o que se passa. Vieram de São Petersburgo. Ignoram a jornalista e começam a pensar em alternativas.

Longo curso e regionais foram os mais afetados, dizem os sindicatos

Em comunicado, a Infraestruturas de Portugal informa que as ligações com destino a Sintra, Cascais e Setúbal estão a fazer-se a 100%, apesar da greve de 24 horas no setor ferroviário, e adianta que "relativamente aos comboios urbanos de Lisboa, estão a ser asseguradas 100% das circulações para as ligações com destino a Sintra, Meleças, Castanheira e Cascais, assim como entre o Barreiro e Praias do Sado".

"Estão também asseguradas a 100%, as circulações das ligações a Setúbal e Coina e garantidas cerca de 25% das ligações de Sintra com destino Alverca e Oriente". Na nota, a IP indica também que no Porto estão ser garantidos todos os comboios urbanos com destino a Braga, Guimarães, Penafiel e Caíde.

Porém, todos os comboios de longo curso e regionais previstos até às 08:00 foram suprimidos devido à greve de 24 horas do setor ferroviário que, segundo a Federação de Sindicatos, está a ter uma "forte adesão".

A porta-voz da CP - Comboios de Portugal, Ana Portela, adiantou à agência Lusa que entre as 00:00 e as 08:00 estavam previstos 119 comboios em Lisboa, mas realizaram-se apenas 58.

"No Porto, estavam previstos 50 e realizaram-se 21 até às 08:00. Nos totais gerais do país, estavam previstos 257 e foram feitos apenas 89, ou seja, os urbanos de Lisboa e Porto", disse.

Também José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) disse à Lusa que a greve dos trabalhadores ferroviários "está a ter uma forte adesão", havendo muitos comboios suprimidos.

"Ainda é cedo para ter dados concretos uma vez que ainda há trabalhadores a entrar ao serviço, mas acreditamos que será uma grande adesão", disse.

No que diz respeito à circulação, José Manuel Oliveira destacou que os comboios de longo curso e regionais foram suprimidos e que apenas se realizaram alguns urbanos.

"Estou em Santa Apolónia [Lisboa] e aqui as bilheteiras estão encerradas e nos placards informativos a palavra normal é 'suprimido'. Os serviços comerciais da CP estão encerrados. A indicação que temos é de que este vai ser o cenário o resto do dia", concluiu.

As greves de 24 horas dos trabalhadores ferroviários, que se iniciaram às 00:00 de hoje, vão afetar a circulação de comboios em todo o país, não havendo serviços mínimos ou transportes alternativos.

O protesto de trabalhadores da CP-Comboios de Portugal, Infraestruturas de Portugal (IP) e Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) visa reivindicar a aplicação dos acordos assinados com o Governo e administrações das empresas.

Em tribunal arbitral nomeado pelo Conselho Económico e Social (CES) foi decidido que não haveria serviços mínimos, além dos definidos por lei, ou seja circulam até ao seu destino os comboios em marcha à hora do início da greve, os comboios socorro e os de transporte de mercadorias perigosas.

Com Lusa

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.