Futebol confinado. Operação "ciclópica" da PSP, com drones e perímetros de segurança reforçados

São 90 jogos em cerca de dois meses que a PSP terá de controlar. Os polícias já estão em campo a monitorizar os adeptos de risco antes mesmo do gigantesco "desafio": conciliar a competição com a situação de calamidade.

"Será uma operação ciclópica" - a expressão é de um oficial da PSP, que está envolvido nos preparativos para o regresso do campeonato da I Liga de futebol, a 3 de junho. A avaliar pela descrição que este oficial superior fez ao DN, organizar este futebol confinado será, de facto, uma missão gigantesca, nunca feita até hoje, que terá de conciliar todas as limitações impostas pela situação de calamidade com uma competição que arrasta multidões.

São 90 jogos em cerca de dois meses, com a previsão da rentrée ser no próximo da quatro de junho, até 26 de julho. Há dias em que se realiza mais de um desafio.

São 90 jogos em cerca de dois meses, com a previsão da rentrée ser no próximo dia três de junho e os últimos jogos a 26 de julho. Há dias em que se realiza mais de um desafio. O campeonato foi suspenso a 12 de março e nessa altura o FC Porto liderava, apenas com um ponto a mais que o Benfica.

"A mensagem que a Liga e a PSP querem transmitir é que os adeptos fiquem em casa e que não vão para o pé do estádio", adverte esta fonte. Na primeira linha de "preocupações" desta força de segurança estão "os complexos desportivos, os locais de concentração de adeptos de risco, os transportes públicos, os aeroportos nas deslocações das equipas, os hotéis onde ficam alojados os jogadores, os locais de treino e de estágio.

Detalhes só se saberão mais perto de cada jogo, pois ainda estão a ser articulados entre a PSP e a Liga. As decisões vão ter em conta as informações recolhidas até essa altura e a classificação do risco. Por exemplo, logo a abrir esta retoma será um jogo considerado de risco elevado - o Vitória de Guimarães-Sporting (dia 4 de junho às 21.15).

Neste momento já estão em "campo" os peritos da Unidade de Informações de Futebol a começar a monitorizar as movimentações e planos dos adeptos de risco para concentrações e deslocações.

Controlar deslocações

A PSP admite que podem ser utilizados drones com câmaras de filmar para ajudar a visualizar as áreas e as deslocações de adeptos, "sempre que se considerar adequado e útil", mais uma vez tendo em conta a avaliação de risco do desafio. Estas imagens são transmitidas em tempo real para os centros de comando e podem ser fulcrais nas decisões operacionais.

Os jogos serão, como se sabe, à porta fechada - a Direção-Geral de Saúde impõe um máximo de 185 pessoas dentro dos estádios, sem adeptos - e a presença da PSP será aqui reduzida ao mínimo. É no exterior que os agentes vão ter maior visibilidade.

Os perímetros de segurança vão ser reforçados e, de acordo com a classificação de risco, as características geográficas, urbanísticas e demográficas da localização dos complexos desportivos, podem ser de maior ou menor dimensão.

Os perímetros de segurança vão ser reforçados e, de acordo com a classificação de risco, as características geográficas, urbanísticas e demográficas da localização dos complexos desportivos, podem ser de maior ou menor dimensão.

Estes perímetros servem para prevenir, não só possíveis tentativas de intrusão nos estádios, mas também para controlar ajuntamentos de adeptos - a regra de um máximo de 10 pessoas está em vigor - não só nas imediações dos estádios, como em estabelecimentos comerciais onde habitualmente se assiste aos jogos na televisão - as regras do distanciamento, lotação e uso de máscaras mantêm-se.

Uma coisa é certa: vai ser negativo o parecer da PSP em relação à instalação de roulottes de comes e bebes. A competência para as estas autorizações é das câmaras municipais, mas esta força de segurança é contra o funcionamento nesta altura destas roulottes.

Os cafés, cervejarias, restaurante vão ser fiscalizados intensamente nos dias dos jogos, os itinerários por onde se deslocam as equipas serão fechados, os hotéis serão alvo de segurança adicional para prevenir que adeptos se juntem à porta.

Máscaras nos estádios

Dos 15 estádios que se candidataram a receber jogos da I Liga, a Direção-Geral da Saúde deu aval a dez: além dos campos dos três grandes, Estádio da Luz, Estádio do Dragão e Estádio José Alvalade, a Cidade do Futebol (Oeiras, casa das seleções), o Estádio D. Afonso Henriques (Vitória de Guimarães), o Estádio João Cardoso (Tondela), o Municipal de Braga (Sporting de Braga), o Portimão Estádio, o Estádio do Paços de Ferreira e o Estádio do Barreiros, casa do Marítimo, clube que exigia jogar no seu recinto.

Dentro dos estádios está determinada a obrigatoriedade de todos usarem máscaras, incluindo os policias. Os jogadores quando estão em campo estão dispensados, mas quando estão no banco têm de colocá-las e manter o distanciamento social.

Serão realizados testes em cada jornada, quer aos jogadores, que aos elementos do staff técnico; dois testes laboratoriais para SARS-CoV-2 por semana: um 48 horas antes do jogo e outro o mais próximo possível da hora de jogo.

De acordo com o Plano de Ação da Liga, o facto de existir este controlo apertado, justifica que, caso algum jogador ou técnico teste positivo não tenha que levar, obrigatoriamente, ao isolamento de toda a equipa.

De acordo com o Plano de Ação da Liga, o facto de existir este controlo apertado, justifica que, caso algum jogador ou técnico teste positivo não tenha que levar, obrigatoriamente, ao isolamento de toda a equipa. Mas será sempre uma decisão conjunta com a Direção-Geral de Saúde.

"A implementação das medidas de confinamento e de testes indicadas neste parecer minimiza o risco de contágio de SARS-CoV-2 entre os atletas e outros intervenientes, pelo que a identificação de um caso positivo não torna, por si só, o isolamento coletivo, das equipas, obrigatório", está escrito neste Plano da Liga.

O Plano de Ação da Liga para a retoma do campeonato foi elaborado pelos médicos das Sociedades Desportivas participantes na Liga NOS e na LigaPro, em articulação com diversos especialistas na área da infecciologia, pneumologia, medicina interna, saúde pública e cardiologia desportiva, a Associação Nacional de Médicos de Futebol, os consultores da Liga Portugal, Professor Filipe Froes e Dr. António Diniz e especialistas da Federação Portuguesa de Futebol.

Estão definidos todos os procedimentos de prevenção contra a covid-19 em todos os pontos do estádio, como os balneários, nas deslocações e nos transportes.

Os campeonatos de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia foram cancelados, enquanto outros países preparam o regresso gradual à competição, como Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, depois de a Liga alemã ter sido retomada.

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