Estivadores denunciam convocatória de precários de Lisboa para trabalharem em Setúbal

Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística alerta para possíveis conflitos entre trabalhadores provocados por operadores portuários.

O Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) denunciou esta terça-feira que trabalhadores precários do porto de Lisboa foram convocados para, quarta-feira, irem trabalhar no porto de Setúbal.

Em comunicado, o SEAL argumentou que esses estivadores precários "vão ser levados [para o porto de Setúbal] apenas com o intuito de potenciar conflitos entre trabalhadores e, por essa via, tentar responsabilizar o SEAL por eventuais consequências de atos irresponsáveis deliberadamente provocados pelos operadores portuários".

Tendo em pano de fundo o conflito entre o SEAL e a Associação Dos Agentes De Navegação De Portugal (AGEPOR), o sindicato "apel[ou] a que os trabalhadores não respondam nem a convocatórias de trabalho ilegal nem a provocações de qualquer tipo".

O SEAL já tinha reafirmado esta terça-feira, em resposta ao que qualificara como acusações da AGEPOR, que pretende "converter trabalho precário em permanente e condições indignas em modelo de dignidade para os trabalhadores dos portos".

A AGEPOR denunciara segunda-feira o que disse ser "a inexistência de trabalho portuário nos terminais de contentores de Setúbal, sem que esteja decretada uma greve ao trabalho em horário normal" - pedindo ainda a intervenção do Ministério Público.

Segundo a AGEPOR, "não existe trabalho portuário nos terminais de contentores e RO-RO [carga que embarca ou desembarca a rolar] de porto de Setúbal desde a passada terça-feira, dia 06 de novembro". Mais, "tal acontece sem que nenhuma greve ao trabalho em horário normal esteja legitimamente decretada e em vigor".

Para o SEAL, aquela posição da AGEPOR "apenas serviu para veicular graves e torpes acusações" e reafirmou que "não boicota contratos permanentes" por essa ser uma das suas "grandes batalhas".

Aludindo à situação no porto de Setúbal, com mais de 20 anos e que teria criado "um híbrido entre monstro de precariedade e galinha dos ovos de ouro", o SEAL contrapôs que "os precários do porto de Setúbal não aceitam que, em tempo de greve, as empresas pretendam assinar contratos e, falhada a estratégia coerciva, ainda lhes venham propor que tais contratos ilegais fiquem sob a divina proteção da autoridade portuária".

O SEAL alargou as acusações, questionando: "Ninguém acha estranho que estando oito portos nacionais, mais de 700 estivadores portugueses em greve há exatamente três meses tal continue a ser olimpicamente ignorado pela agenda mediática?"

A greve ao trabalho suplementar decretada pelo SEAL decorre até 01 de janeiro de 2019 em defesa da liberdade de filiação sindical e abrange os portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira), Ponta Delgada e Praia da Vitória (Açores).

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG