Clemente deixa presidência da Conferência Episcopal e quer "rejuvenescimento"

O cardeal patriarca de Lisboa anunciou a sua decisão hoje, no final de cerimónias religiosas na Sé. Pedindo "rejuvenescimento" na hierarquia da Igreja Católica.

"Já esgotei os tempos todos. Os mandatos são renovados por um prazo e em princípio são no máximo seis anos, eu já fiz sete porque tive de completar o mandato do meu antecessor e agora não sou obviamente candidato."

Esta manhã, falando com jornalistas, no final das cerimónias do Dia de Corpo de Deus, que decorreram na Sé de Lisboa, o cardeal patriarca de Lisboa confirmou que está de saída da presidência Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), função que ocupa desde 2013.

"Até é bom que se rejuvenesçam este órgãos da conferencia episcopal."

D. Manuel Clemente aproveitou no entanto para deixar um apelo: "Até é bom que se rejuvenesçam este órgãos da conferencia episcopal. Somos 20 bispos diocesanos mais o bispo das Forças Armadas, temos vários bispos auxiliares em exercício e até gente mais nova para que o trabalho continue com vigor e com criatividade".

A frase corre aparentemente contra a hipótese de ser sucedido na presidência da CEP pelo cardeal António Marto, actual bispo de Leiria-Fátima. Marto tem 73 feitos a 5 de maio - e aos 75 terá de resignar. Já Clemente faz 72 em julho.

As eleições para o novo CEP deveria ter acontecido em Abril mas foram adiadas, por causa da pandemia, para o próximo dia 15, em Fátima.

D. Manuel Clemente também se pronunciou sobre as implicações financeiras na Igreja resultante do fecho das missas durante dois meses.

"Tanto quanto vou sabendo e vou sabendo pelas paróquias e pelas instituições é efetivamente um problema e um grande problema porque, como podem imaginar muitas destas instituições vivem do voluntariado, mas também há gente profissionalizada que precisa de garantir variadíssimos serviços e, não havendo receita tudo isso se torna mais difícil", acrescentou.", disse.

"Apelando à boa vontade dos fieis, dos paroquianos e de outros e expondo o problema, a resposta também não falta em termos de generosidade."

D. Manuel Clemente deixou, no entanto, uma nota de otimismo: "Padres que me confidenciam e partilham que, apelando à boa vontade dos fieis, dos paroquianos e de outros, e expondo o problema, a resposta também não falta em termos de generosidade. Creio que também aí as coisas se vão compor."

O cardeal fez ainda uma avaliação geral da conduta das autoridades públicas: "Creio que todas têm respondido geralmente bem e muito bem, porque isto é uma situação imprevista. Faz lembrar aquele verso da Sophia de Mello Breyner sobre os antigos navegadores que navegavam sem o mapa que faziam. Estamos a fazer o mapa de um mar que nunca navegámos. Por isso e atendendo ao inédito da situação, só posso elogiar o que tem acontecido de maneira geral desde o primeiro momento da parte das autoridades a todos os níveis."

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