Avião que vai trazer portugueses já tem autorização para sair de Wuhan

Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês deu luz verde para que a aeronave que transporta 350 europeus - 17 deles portugueses - deixe o território chinês este sábado à noite.

O avião que vai retirar cidadãos europeus, incluindo 17 portugueses, de Wuhan, cidade chinesa colocada sob quarentena e onde surgiu o surto do novo coronavírus, tem autorização para partir este sábado à noite, disse à Lusa fonte do Governo chinês.

Os portugueses que vão ser retirados confirmaram à Lusa que já estão reunidos no consulado francês em Wuhan, a partir de onde serão transportados, junto com outros 350 cidadãos europeus, a maioria franceses, para o avião, um Airbus A-380.

O avião, que partiu na quinta-feira de Portugal rumo a Paris, e que chegou este sábado a Hanói, seguindo depois para Wuhan, no centro da China, partiu um dia depois do previsto inicialmente.

Segundo a SIC Notícias, a aeronave da Hi Fly ficou retida na capital vietnamita sem autorização para seguir viagem. O facto de o Vietname ter sido um dos últimos países a suspender as ligações aéreas com a China terá levado a que o avião estivesse várias horas a aguardar luz verde para voar até ao território chinês, que já regista 259 mortes pelo novo coronavírus.

Ainda de acordo com a SIC Notícias, o governo francês liderou as negociações com as autoridades chinesas para ultrapassar este impasse. O Airbus A380 já tinha ficado retido em Paris por não ter aval da China.

Inicialmente, esperava-se que os portugueses fossem retirados da China ainda este sábado, uma vez que se previa a chegada do avião a Wuhan na sexta-feira.

Dois hospitais para isolamento

Os cidadãos portugueses vindos de Wuhan - que serão rastreados à partida e à chegada ao aeroporto - poderão ficar em isolamento voluntário no Hospital Pulido Valente (Lisboa) e no Hospital Militar (Porto).

"Estamos a coletar informação sobre estas pessoas que estão na China, que nos permitam perceber melhor: fazem parte dos mesmos grupos, pertencem a famílias, a pessoas que partilharam casas, estiveram expostas ao mesmo tipo de risco? Vamos saber quando as nossas equipas entrarem em contacto com estas pessoas no voo de regresso ou já à chegada a Portugal", afirmou sexta-feira a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

O Ministério da Saúde disponibiliza instalações tranquilas e dignas para que possam estar em "isolamento profilático", desde que aceitem estas condições, adiantou.

A ministra da Saúde já tinha informado que os portugueses a retirar da China serão rastreados antes de iniciarem a viagem e na chegada ao aeroporto.

"Cada um destes cidadãos terá uma consulta com a autoridade [de saúde] à chegada, que terá integrado um médico, que aplicará um inquérito epidemiológico e um inquérito sobre a história clínica recente de forma a garantir que qualquer suspeita é logo identificada e encaminhada adequadamente", explicou Marta Temido.

A ministra adiantou que o rastreio, que será feito através de uma avaliação clínica e física, que inclui a medição da febre, será feito no aeroporto, o que não quer dizer que não haja uma avaliação complementar se for necessária. De acordo com informação que dispõe, Marta Temido disse que vão regressar a Portugal cerca de dezena e meia de portugueses, mas ressalvou que "poderão ser menos, porque alguns concidadãos optaram por não deixar a China por várias razões"

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