Três escolas de Évora começam as aulas uma semana depois do previsto

Na última semana a falta de funcionários levou ao adiamento do início das atividades letivas

As três escolas de Évora que falharam o arranque do ano letivo, na semana passada, devido à falta de funcionários, já iniciaram as atividades letivas, segundo uma ronda efetuada esta segunda-feira pela agência Lusa.

Os alunos que frequentam os 2.º e 3.º ciclos na Escola Básica Manuel Ferreira Patrício começaram hoje as aulas, enquanto que as atividades letivas do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo já tinha arrancado na semana passada.

Também se iniciaram esta segunda-feira de manhã as aulas para todos os alunos da Escola Básica André de Resende.

As aulas na Escola Básica Conde de Vilalva, que já tinham começado na quinta-feira, prosseguiam esta manhã dentro da normalidade.

O adiamento do início do ano letivo nas três escolas aconteceu depois de o município ter decidido revogar o contrato de delegação de competências com o Ministério da Educação (ME) devido à falta de funcionários.

Na semana passada, o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, disse que o Governo foi informado, na semana anterior, pela Câmara de Évora, de que tinha a intenção de rescindir o contrato de execução com o Ministério da Educação, "pondo em causa também o início no ano letivo".

"Nós dissemos, claramente, que as condições operacionais estão criadas e que os assistentes operacionais existem nas escolas para que todo o serviço coletivo se possa dar, como tem de ser dado", acrescentou.

O Ministério da Educação indicou à Lusa que os funcionários das escolas de Évora vão regressar à sua gestão, caso se concretize a revogação do contrato, ficando "assegurada a continuidade do trabalho realizado nestas escolas, bem como o regular início do ano letivo".

Já o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá (CDU), recusou atirar "a responsabilidade toda para o ME" e disponibilizou-se para "encontrar as soluções, tão rapidamente quanto possível, para as escolas que têm falta de funcionários".

"Eu percebo que o ministério tenha dificuldades em fazer um concurso e, para isso, nós dissemos que estamos disponíveis, porque temos concursos abertos, para levar trabalhadores desses concursos para poder, nesta fase, colmatar algumas das necessidades", disse.

Questionado sobre se terá de ser o Ministério da Educação a pagar os ordenados a esses trabalhadores, Pinto de Sá respondeu: "É óbvio que sim".

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