AHRESP defende que bares e discotecas têm "todas as condições" para reabrir

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) defende que os estabelecimentos de animação noturna, encerrados desde março devido à pandemia, têm "todas as condições" para reabrir em segurança, com medidas específicas, inclusive nas pistas de dança.

"A área da pista de dança deverá ser marcada no chão por meio de quadrados, com 2,25 metros quadrados de área cada, que permitam garantir a distância física entre pessoas", propôs a AHRESP, no âmbito do guia de boas práticas para os estabelecimentos de animação noturna, entregue ao Governo, no sentido de "contribuir para a rápida reabertura" de bares e discotecas.

Além do distanciamento social, a AHRESP recomenda que todos os colaboradores e clientes usem máscara de proteção, "obrigação que é dispensada quando, em função da natureza das atividades, o seu uso seja impraticável".

Reunindo "amplo consenso" dos muitos empresários que reuniram com a AHRESP, o guia de boas práticas para os estabelecimentos de animação noturna inclui regras sobre a capacidade dos espaços, o controlo de entrada de clientes, o uso de equipamentos de proteção individual, a limpeza e desinfeção do espaço e o serviço de alimentação e bebidas.

"O encerramento da 'noite' e dos seus estabelecimentos está a tornar-se insustentável para as empresas", alertou a associação que representa empresas de animação noturna, indicando que o setor está "em grave crise", devido à pandemia da covid-19.

Considerando que é "urgente e necessária" a reabertura destes estabelecimentos, a AHRESP avançou com o guia de boas práticas para a animação noturna, que "tem como base o guia de boas práticas para a restauração e bebidas", desenvolvido pela associação e que teve a validação da Direção-Geral da Saúde (DGS).

"Mas contempla também questões específicas para a atividade da animação noturna", ressalvou a associação, defendendo que, cumprindo as regras recomendadas pelo guia de boas práticas, "este setor, que está a passar por uma situação de extrema gravidade, sendo um dos poucos que ainda se mantém encerrado por diploma legal, e aquele que primeiro encerrou, tem todas as condições para poder reabrir em segurança".

Relativamente à ocupação dos espaços de animação noturna, a AHRESP sugeriu que seja limitada a capacidade do estabelecimento, "por forma a assegurar o distanciamento físico recomendado (dois metros) entre as pessoas e garantir o cumprimento da legislação em vigor".

"Sempre que possível e aplicável, promover e incentivar o agendamento prévio para reserva de lugares por parte dos clientes", lê-se no guia de boas práticas para os estabelecimentos de animação noturna.

Na quinta-feira, cerca de 130 trabalhadores do setor de animação noturna protestaram em Lisboa, numa manifestação silenciosa pela reabertura de espaços como bares e discotecas, encerrados desde o início de março no âmbito da pandemia da covid-19.

O protesto culminou na entrega de um cesto de chaves de estabelecimentos de animação noturna, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para que o Governo vá "gerir os negócios" como bares e discotecas.

A manifestação "O silêncio da noite... à procura de respeito e respostas" foi marcada através das redes sociais pelo movimento "O silêncio da noite", que surgiu em consequência do encerramento, sem previsão de abertura, dos estabelecimentos noturnos, determinado pelo Governo devido à pandemia da covid-19.

O porta-voz do grupo e presidente da Associação de Discotecas Nacional (ADN), José Gouveia, sublinhou que a manifestação aconteceu para que se assista ao "fim do silêncio do Governo e para que este comece a falar sobre a noite e de quando vão abrir os bares e as discotecas".

"Só estamos à espera que a DGS nos diga como devemos agir. Como é evidente, se me dissesse há dois meses que tinha de usar máscara, diria que não era possível. Hoje o uso de máscara faz parte, é como um acessório de roupa", disse José Gouveia, exigindo que o Governo determine uma data para que os estabelecimentos possam reabrir.

A Lusa questionou o Ministério da Economia sobre a data prevista para a reabertura dos estabelecimentos de diversão noturna, mas ainda não obteve resposta.

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