Advogada de Rosa Grilo ao DN: "Percebo a aplicação da prisão preventiva"

Tânia Reis diz, ao DN, entender a medida de coação aplicada aos seus clientes tendo em conta a dimensão mediática do caso

A advogada vai analisar com Rosa Grilo e António Joaquim se recorrem da medida de prisão preventiva. Uma decisão que admite não ser fácil, até porque pode ser melhor que estejam num estabelecimento prisional dado a dimensão mediática que o caso tomou.

"Requerer da medida de prisão preventiva é uma questão que vou analisar com os meus constituintes. Há a possibilidade de impugnar a decisão do tribunal e vamos falar sobre a medida aplicada tanto em relação a um como a outro", disse ao DN admitindo que possa ser melhor a prisão para segurança dos suspeitos de homicídio de Luís Grilo. "Esse foi um dos argumentos apresentados pelo tribunal. Era provável que aplicassem a medida de prisão preventiva num caso com este mediatismo, percebo que exista essa preocupação e percebo que tenha sido aplicada esta medida".

O Tribunal de Vila Franca de Xira justifica a prisão preventiva por se verificarem os perigos constantes do artigo 204 do Código de Processo Penal. Sublinha que existe "perigo de fuga, perigo de perturbação do decurso do inquérito (mormente na vertente de aquisição, conservação e veracidade da prova) e perigo de perturbação da ordem e da tranquilidade pública (atendendo à natureza dos ilícitos em causa e a visibilidade social que a prática daqueles crimes implica) ".

Assim sendo, Tânia Reis reconhece a dificuldade do processo que tem em mãos. "Claro que é um dos casos mais complexos que já tive. Os homicídios são sempre casos complexos ainda que as pessoas estejam inocentes e que a prova indiciária seja escassa. É sempre um processo com especial complexidade e daí até obter o resultado que queremos ou não e até haver desfecho do processo é sempre complexo ".

Em relação ao estado de espírito de Rosa Grilo e de António Joaquim, comentou: "Estão como estão duas pessoas que se encontram detidas em prisão preventiva, privadas da sua liberdade e que aguardam um julgamento complexo. Já até com alguns julgamentos populares"

Medida é revista no prazo de três meses

A impugnação das medidas de coação tem um prazo de 30 dias, sendo que estas são revistas após três meses.

Desconhece-se em que estabelecimentos prisionais os dois arguidos vão cumprir a prisão preventiva. Hoje, depois de terminado o interrogatório e conhecidas as medidas de coação, regressaram aos locais onde esperaram pela decisão desde que foram detidos, na quarta-feira. Rosa Grilo tem permanecido no Estabelecimento Prisional de Tires e António Joaquim na PJ, tendo, no seu caso, Tânia Reis pedido uma cela isolada por se tratar de um funcionário judicial.

Tânia Reis tem 40 anos, consultório em Alverca do Ribatejo, com experiência em processos de homicídios e tráfico de droga.

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