79% dos novos casos de covid-19 registam-se na Grande Lisboa, mas Norte duplica infeções em 24 horas

O boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde refere 300 novos casos de infeção pelo novo coronavírus em Portugal. Destes, 236 localizam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo e 44 no Norte (mais 56,8% positivos para covid que nas últimas 24 horas).

Em Portugal, nas últimas 24 horas, morreram duas pessoas e foram confirmados mais 300 casos de covid-19 (um aumento de 0,81% em relação ao dia anterior). Segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta terça-feira (16 de junho), no total, desde que a pandemia começou registaram-se 37336 infetados, 23212 recuperados (mais 360) e 1522 vítimas mortais no país.

Ou seja, há, neste momento, 12 602 doentes portugueses ativos a ser acompanhados pelas autoridades de saúde.

79% dos novos infetados têm residência na região de Lisboa e Vale do Tejo, tal como os dois únicos óbitos registados nas últimas 24 horas. Ou seja, apenas 64 encontram-se distribuídos por outras zonas do país. Verificam-se 44 novos infetados no Norte (mais do dobo - 56,8% - dos novos casos ontem), 12 no Centro e oito no Algarve. Estes últimos poderão ser explicados por um surto no concelho de Lagos (distrito de Faro), onde, segundo a autarquia, existe um "foco de contágio ativo" por causa da "organização de um evento festivo ilegal".

Alentejo, Açores e Madeira não revelam nenhuma alteração à sua situação epidemiológica.

Uma análise mais minuciosa, por concelho, revela que 204 dos 300 novos casos se concentram em cinco concelhos da área metropolitana de Lisboa: Sintra, Loures, Lisboa, Amadora e Odivelas. O que o Governo tem justificado com uma estratégia massiva de testes de despiste realizados nestas zonas.

No último dia, Sintra notificou mais 49 casos de covid, Loures 45, Lisboa 42, a Amadora 37 e Odivelas 31, de acordo com os dados reportados pelo sistema SINAVE.

Menos óbitos e menos internamentos

A taxa de letalidade global do país é hoje de 4%, menos 0,2% que no dia anterior, confirmando uma descida ligeira e constante deste indicador, já esta segunda-feira, citada pela ministra da Saúde, durante a habitual conferência de imprensa, que deixou esta semana de ser diária, passando a realizar-se às segundas, quartas e sextas. "Vale a pena recordar que a média semanal [de óbitos] tem vindo a cair. Foi de 5,4% na última semana, 10% na penúltima semana e de 12% na antepenúltima", referiu Marta Temido.

Já a taxa de letalidade entre as pessoas acima dos 70 anos (as principais vítimas mortais) encontra-se nos 17,3%, como ontem.

Esta terça-feira, estão internados 423 doentes (menos oito que ontem), sendo que destes 71 encontram-se nos cuidados intensivos (menos dois).

O boletim da DGS indica ainda que aguardam resultados laboratoriais 1316 pessoas e estão em vigilância pelas autoridades de saúde mais de 30 mil. O sintoma mais comum entre os infetados é a tosse (que afeta 38% dos doentes), seguida da febre (29%) e de dores musculares (21%).

56,3% dos casos e 50,3% dos óbitos são mulheres

Há mais mulheres infetadas com o novo coronavírus (56,3%) do que homens e há mais mortes no sexo feminino (50,3%) do que no masculino, embora a diferença não seja significativa.

Quanto à idade dos cidadãos diagnosticados com covid, desde que a pandemia chegou a Portugal, em março, a faixa etária mais afetada é a dos 40 aos 49 anos (6 284 casos). Depois a dos 50 aos 59 anos (6 034), a dos 30 aos 39 anos (5 854), a dos 20 aos 29 anos (5 260) e a dos 80 anos para cima (4 819).

No entanto, no que diz respeito à mortalidade, a tendência inverte-se. São os mais velhos as principais vítimas mortais. A partir dos 80 anos registam-se 1023 óbitos. Segue-se a faixa etária dos 70 aos 79 anos (293) e a dos 60 aos 69 anos (137). As duas vítimas mortais mais jovens encontram-se entre os 20 aos 29 anos.

439 mil mortes por covid em todo o mundo

O novo coronavírus já infetou mais de 8,1 milhões de pessoas no mundo inteiro, até esta terça-feira às 09:44, segundo dados oficiais. Há agora 4,2 milhões de recuperados e 439 561 mortes a registar.

Os Estados Unidos da América são o país com a maior concentração de casos (2 182 951) e de mortes (118 83). Em termos de número de infetados, seguem-se o Brasil (891 556) e a Rússia (545 458). Portugal surge em 32.º lugar nesta tabela.

Quanto aos óbitos, depois dos Estados Unidos, o Brasil é a nação com mais mortes declaradas (44 118). Seguem-se o Reino Unido (41 736) e a Itália (34 371).

Entretanto, a situação epidemiológica na China - país onde foi descoberto o novo coronavírus no final do ano passado e que é agora o 19.º com maior número de casos - voltou a criar preocupação. Pequim diagnosticou mais de cem casos desde sexta-feira, depois de detetado um novo surto no principal mercado abastecedor da capital. Mais de vinte bairros foram colocados sob quarentena.

A capital chinesa está numa "corrida contra o tempo", disse o porta-voz das autoridades, Xu Hejian, em conferência de imprensa. A capital "terá de estar sempre um passo à frente da epidemia e tomar as medidas mais rigorosas, decisivas e determinadas", afirmou.

OMS receia uma segunda vaga

O novo surto epidémico na China está a suscitar temores de uma "segunda vaga" de infeções, admitiu a Organização Mundial da Saúde (OMS), na segunda-feira, acrescentando que está a acompanhar "muito de perto" a situação em Pequim.

A OMS - que foi acusada de alinhamento com as autoridades chinesas no início do surto, em dezembro passado - disse estar a considerar enviar especialistas para Pequim nos próximos dias.

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