Vacinas e Economia

A rapidez de recuperação das economias, nomeadamente em áreas tão importantes para Portugal como o Turismo, depende do controlo da pandemia e este da velocidade de vacinação da população.

Não pretendendo tomar qualquer ação autónoma, ao contrário de vários outros países da União Europeia, o Governo português continua atrasado nesta frente, arriscando-se a ser dos últimos a conseguir vacinar toda a população. Ao fim de mais de dois meses de esforços nem os maiores de 90 anos foram ainda vacinados (o meu Pai com 94 anos continua à espera).

A desorientação continua, com critérios de interpretação lata que permitem que muitos passem à frente das pessoas verdadeiramente prioritárias.

De acordo com o Vaccine Tracker da Bloomberg os Estados Unidos já vacinaram praticamente 10% da população com as duas doses necessárias e quase 20% da população com pelo menos uma dose, preparando-se para ter o processo de vacinação total da população concluído em finais de Maio. Aprovaram um volumoso pacote de ajuda a pessoas e pequenas empresas mais atingidas pela pandemia e vão aprovar outro, ainda mais volumoso, de desenvolvimento de infraestruturas que vai relançar a sua economia.

Em contrapartida a União Europeia apenas conseguiu vacinar com as duas doses 2,8% da população, o que compara com o mesmo valor na Turquia, e menos do que o Chile (3%), a Sérvia (8,5%), Singapura (3,6%), entre outros. Com uma dose a União Europeia vacinou 6% da população, valor muito inferior ao do Chile (21%), Marrocos (11%), Noruega (7%), etc..

No interior da União, e ainda de acordo com a mesma fonte, existem algumas disparidades. Com uma dose Portugal surge com 7%, mas a Dinamarca já vai com 9%, a Finlândia com 8,7%, Malta com 12% entre outros.

A opção pela não compra de vacinas comprovadas como a chinesa e a russa, a par da compra massiva de uma vacina barata que não foi aprovada nos

EUA e foi retirada ou suspensa em vários países, está a atrasar o processo de vacinação europeu. Alguns países da União percebendo a armadilha, saíram do cartel europeu de compra e procuraram obter vacinas de outras fontes. Portugal não, arriscando-se a atrasar ainda mais a recuperação económica. Estranha-se a passividade reivindicativa das Empresas neste capítulo.

No combate à pandemia, como sempre o defendemos, não há equilíbrio possível. Se combatermos eficazmente a pandemia recuperaremos mais depressa a economia. Neste momento a corrida centra-se na vacinação. Os que o conseguirem fazê-lo mais depressa relançarão as suas economias primeiro, os que demorarem mais tempo, ficarão para trás.

Neste contexto não se percebe as hesitações do Governo em avançar com compras autónomas de vacinas que permitam controlar a pandemia e relançar rapidamente a economia. Por este andar o nosso país arrisca-se a assistir ao definhar das suas Empresas, a empobrecer coletivamente ainda mais e a ver os seus melhores profissionais partir para outras paragens.

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