Um por todos, todos por Portugal!

Foi com este "lema" que Jorge Sampaio se candidatou às Eleições Presidenciais, corria o ano de 1996. Vinte e cinco anos depois continua a ser válido e verdadeiro.

A campanha autárquica inicia-se amanhã, às 00h00, o que significa o arranque da disputa eleitoral que mais portugueses envolve. É uma eleição que concentra duas caraterísticas importantes: uma passa pela maior proximidade dos representantes a eleger; a outra é a considerável quantidade de candidatos das diversas forças políticas. Serão ao todo 308 Câmaras e Assembleias Municipais e 3091 Assembleias de Freguesia.

Começa assim oficialmente a luta pelo poder autárquico. As novidades são, de certo modo, as habituais: novos partidos e coligações e estilos mais ou menos ortodoxos de campanha, num formato que, por vezes, leva a pensar que "vale tudo por um votinho".

Ao longo dos anos assistiu-se a alguns movimentos pendulares de poder em certas autarquias. Independentemente do resultado final, no sentido de quem sai vitorioso, cuja responsabilidade e escolha recaem sempre, e bem, sobre o Povo, talvez seja relevante encontrar um ponto único de consenso entre todos os Candidatos: combater o verdadeiro vencedor das eleições, a abstenção.

Os motivos que levam os portugueses a não exercer este Direito Cívico já foram amplamente estudados. Seja por fatores climatéricos extremos, pela distância física e recenseamento numa determinada mesa de voto ou pelo dia em que decorrem as eleições, tudo serve para justificar uma fraca ida às urnas.

Fruto ou não da pandemia, algumas medidas têm vindo a ser tomadas no sentido de diminuir o flagelo abstencionista. Dessas aponto, por exemplo, o desaparecimento do número de eleitor ou a existência de mais locais de voto. São melhorias parcas, mas que permitem antever maiores e mais significativas mudanças no horizonte.

Com o aparecimento de novas forças políticas, e a consecutiva entrada do antissistema no sistema, lá se vai o argumento do desinteresse das pessoas na política. E por estranho que pareça mesmo assim o problema persiste. Os portugueses demonstram interesse, mas não votam.

O fenómeno preocupante da abstenção não é exclusivo do nosso país. É um assunto em amplo debate a nível mundial, sobretudo no Ocidente onde as democracias são mais maduras. Uma das causas mais apontadas pelos eleitores em "standby" assenta na falta de proximidade e identidade com os políticos. Outra passa pela forma como foram ou não apoiados durante períodos complexos.

Creio que os portugueses têm a perfeita noção de como têm sido tratados pelos seus governantes nos tempos mais difíceis, mesmo com as devidas diferenças. Relembre-se a crise financeira de 2010 e a pandemia que ainda vigora.

E aos não votantes, trago mais uma memória recente: aquando a corrida às presidenciais americanas em 2016, quase 100 milhões de americanos não votaram. Os resultados foram enviesados por essa enorme abstenção. O que aconteceu depois eles e nós sabemos. Foram quatro penosos anos, para os EUA e para o mundo.

As autárquicas são uma eleição de governantes próximos das suas Pessoas. Representam a política de proximidade e a convergência com os interesses da população. Como disse Sá Carneiro, "a abstenção é um ato de cobardia política". Não é, portanto, um ato reservado a nós. Combatamo-lo juntos, por um Portugal mais próximo, responsável e solidário.

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