Todos os sérvios do "Kosovo" agradecem aos soldados portugueses da KFOR

O Reino da Sérvia e o Reino de Portugal e dos Algarves estabeleceram relações diplomáticas em 1882, quando havia um total de 11 países na Europa. Cerca de quinze anos após este acontecimento, em 1898-99, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Sérvia publicou um livro de grande formato com 145 páginas, em sérvio e francês, intitulado "Correspondência sobre a violência albanesa na Velha Sérvia" (a "Velha Sérvia" foi posteriormente rebaptizada de Kosovo e Metohija). Este contém dados exatos, nome dos lugares, nomes e apelidos dos criminosos (albaneses) e das vítimas (homens e mulheres sérvios), enumerando os assassinatos, estupros (até no cemitério), sequestros, furtos... Tudo isto se manteve, particularmente durante o Primeira e Segunda Guerras Mundiais, quando os sérvios estavam do lado dos aliados e os albaneses do lado contrário. Durante o Império Otomano, como muçulmanos, os albaneses alinharam com os turcos contra os cristãos, na Primeira Guerra Mundial alinharam novamente com os turcos e as potências do Eixo, na Segunda estiveram do lado dos nazis, sendo que os albaneses da Albânia eram mais humanos que os albaneses do Kosovo e Metohija, os quais formaram a infame "Divisão SS Khanjar", que matava todos os que eram muçulmanos ou anti-Hitler das formas mais horríveis possíveis. Durante o comunismo, foram comunistas implacáveis e, após a queda do comunismo, muçulmanos ainda mais implacáveis. Desde abril de 1996, que as actividades terroristas da organização albanesa "Exército de Libertação do Kosovo" (KLA) incluiram o assassinato de civis e agentes da polícia sérvia. Robert Galbraith, enviado especial dos EUA, declarou, em 1998, que "o KLA é indubitavelmente uma organização terrorista" e que os EUA o havia incluído na lista de terroristas. Mais tarde, razões geopolíticas levaram a uma mudança na atitude por parte dos Estados Unidos. É agora do conhecimento público que o sucedido na aldeia de Racak foi orquestrado por William Walker (lobista albanês) e serviu como um ataque da NATO aos cristãos, a favor dos muçulmanos, ao lado de quem os mujahideen de Osama Bin Laden (literalmente) lutaram. O Professor americano Walid Fares refere este facto no seu livro "Future Jihad", em 2005. Este conselheiro da Administração Americana em Relações Internacionais, conferencista em universidades nos Estados Unidos e nos serviços de segurança do país, declarou explicitamente que a Al-Qaeda venceu a guerra no Kosovo e suscitou a mudança de regime na Sérvia.

O Major-General Raul Luís Cunha, que integrou as Forças Especiais e ocupou já o mais elevado cargo do Estado-Maior português, comandou, entre 2005 e 2009, as forças da KFOR no Kosovo e Metohija, tendo portanto conhecimento direto do que se passava no terreno, testemunha no seu livro "KOSOVO - A Incoerência de uma Independência Inédita", que os portugueses e as outras forças da KFOR protegeram, efectivamente, as vidas e a segurança dos sérvios e outros não-albaneses e evitaram a demolição e a pilhagem de igrejas cristãs e mosteiros. Consegue supor de quem? Neste seu livro, Raul Cunha desmascara ainda, detalhadamente, a mentira acerca do "massacre de Racak".

Antes da chegada da KFOR, os sérvios, incluindo mulheres, crianças e idosos, eram assassinados como historicamente já o haviam sido, a única novidade era a retirada de órgãos a vítimas vivas sérvias (incluindo mulheres e crianças) para venda no mercado negro, assim o revela Dick Marty, ex-procurador do Estado suíço, do cantão de Ticino, e membro do parlamento do Conselho da Europa, no seu livro "Uma certa ideia de justiça" (publicado na Suíça e em França). Quando a Senhora Vjosa Osmani afirma que "Toda a gente no Kosovo está muito agradecida pela presença portuguesa na NATO" e que todos os soldados da KFOR são "considerados os nossos salvadores", está a falar exclusivamente em nome dos sérvios e de outras comunidades não-albanesas, as quais lhe deverão dar o seu reconhecimento. Na entrevista (publicada no V. estimado jornal a 30 de Outubro), refere-se ao secularismo, tolerância religiosa e multi-etnicidade, quando é um facto bem conhecido que o maior número de voluntários recrutados na Europa para o ISIS são oriundos do Kosovo e Metohija (o solo cristão sagrado da Sérvia tornou-se numa fonte de terroristas islâmicos!); sem mencionar que as forças mujahedin de Osama Bin Laden lutaram (literalmente) contra os Sérvios!! Por outro lado, afirma que centenas e centenas de igrejas e mosteiros cristãos ruíram naturalmente antes da chegada da KFOR? Não parece muito convincente!

A afirmação da Senhora Vjosa Osmani, de que a maioria dos países reconheceu a declaração unilateral de independência do "Kosovo" simplesmente não é verdadeira, pois não tem em consideração que 17 países retiraram o seu reconhecimento. Por outro lado, mas não menos importante, é o facto de que o número de habitantes dos países que não reconheceram o "Kosovo" é superior a 5 bilhões e 418 milhões, e nos países que reconheceram esse número é de 2 bilhões e 300 milhões. Por conseguinte, do ponto de vista da democracia, a maioria é clara, pura e inequívoca. Não pode ser coincidência que o Vaticano também não reconheça o "Kosovo".

O conceituado e mundialmente reconhecido Professor de Direito Internacional português, Prof. Fausto de Quadros, apresentou em 2008, no semanário "SOL", argumentos irrefutáveis sobre a ilegalidade da independência unilateralmente declarada pelo "Kosovo". A propósito, o Professor é ainda hoje abordado por muitos políticos que o felicitam pelo seu artigo, tendo o então Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, adiado este reconhecimento, o qual era uma insistência do Governo chefiado por José Sócrates.

E a inverdade final: totalmente anti-profissional ou intencionalmente errónea, é a sua interpretação maliciosa do parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça em Haia. A saber, a Senhora Vjosa Osmani repetiu literalmente o que o Senhor Ylber Kryeziu afirma no artigo publicado no V. estimado jornal, a 7 de Outubro de 2020, intitulado "Kosovo agradece os 6.000 soldados portugueses que ajudaram à paz". Na altura, enviei uma resposta a esse artigo, a qual foi publicada no V. jornal, a 22 de Outubro de 2020, sob o título "Pós-verdade: Kosovo agradece os 6.000 soldados portugueses que ajudaram à paz", na qual analisei detalhadamente, de um ponto de vista científico, o parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça em Haia, tendo provado que o Tribunal deu uma opinião completamente oposta às alegações da Senhora Vjosa Osmani e do seu representante. Não irei, naturalmente, aqui repetir os 11 pontos de análise da decisão mencionados no meu artigo, mas direi apenas o seguinte: Se os utilizadores de salões de cabeleireiro do Funchal me perguntarem se a sua declaração de independência de Portugal é uma violação do Direito Internacional, a minha resposta seria exactamente a mesma que o parecer consultivo do Tribunal Internacional de Justiça em Haia, de que tal declaração não viola o Direito Internacional porque simplesmente não diz respeito ao Direito Internacional. O Senhor Kryeziu, que é licenciado em ciências políticas, com mestrado em Ancara, poderá não saber disto, mas a Senhora Vjosa Osmani, como advogada, deverá sabê-lo (no entanto, parece não poder admiti-lo), tal como deverá conhecer o princípio excepcional do Direito, que se aplica há milhares de anos: "Quod ab initio vitiosum est, non potest tractu temporis convalescere", isto é, o que é viciado (um acto nulo) desde o seu início, não poderá tornar-se válido pelo decurso do tempo.

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