Sol na eira e chuva no nabal

Assim diz a sabedoria popular sobre quem quer em simultâneo duas coisas diametralmente opostas. Os últimos dias têm trazido inúmeras notícias e relatos chocantes sobre as piores cheias e inundações por essa Europa fora, isto em pleno verão.

As chuvas intensas provocaram o caos, destruíram e ceifaram vidas indiscriminadamente. O Homem, quando em confronto direto com a natureza, acaba quase sempre reduzido à sua insignificância. Da Alemanha à Bélgica, passando pelos Países Baixos e Suíça, são estes alguns dos locais por onde a disrupção se fez sentir.

Em sincronia com a calamidade das águas, e ainda no velho continente, outros deliciam-se com a novidade das altas temperaturas. Em Helsínquia e Moscovo improvisam-se praias e batem-se recordes de altas temperaturas, que quase causam inveja ao sul da Europa.

Do outro lado do globo, no "Novo Mundo", depois de ultrapassados os valores máximos registados pelos termómetros, na British Columbia (Canadá), em Washington e no Oregon (EUA) contam-se as as vítimas que não resistiram. Apesar de não ter sido muito noticiado por cá, naquela região do Canadá, em 5 dias morreram perto de 500 pessoas. Nos Estados Unidos as perdas humanas não foram muito diferentes.

No "Death Valley", a 9 de julho de 2021, pelo segundo ano consecutivo, alcançou-se um novo número: 54.4º C, a temperatura mais elevada do Planeta. A Austrália teve cheias massivas em março e também o ciclone Seroja. Há apenas 5 meses deu-se um nevão inédito no Texas, deixando um manto branco nunca antes visto por aquelas paragens.

E o mais chocante perante todas estas evidências é saber que muitos ainda não fazem sequer os mínimos para literalmente SALVAR O PLANETA!

Nunca fui de grandes alarmismos, mas é impossível não ficar preocupado. Na nossa esfera familiar, sempre separámos os resíduos, privilegiamos o uso de produtos amigos do ambiente, usamos a água e energia com consciência e preferimos comprar a granel. É no conjunto de pequenas ações que conseguimos fazer a diferença, mas o desafio tem de ser assumido no coletivo.

E os Estados, será que fazem o que lhes compete? Sinto que há cada vez maior preocupação com as questões ambientais. Os nossos responsáveis estão mais empenhados, há progressos e compromissos consideráveis nos últimos anos, mas é na mudança de mentalidades que se encontram as maiores barreiras.

Para além das boas práticas individuais, urge que cada um de nós se sinta envolvido na defesa do planeta em mais do que a separação do lixo, da utilização de produtos amigos do ambiente, dos sacos para as compras ou na gestão da água.

Somos pessoas que querem mais. Mas como? Uma das formas que me ocorreu foi a de alertar para o problema. Porque hoje, no mundo, há sol na eira e chuva no nabal.

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