Semanologia

Tornar normal o escândalo

Os portugueses, raramente escrutinam o Estado, as empresas, os grupos de interesse: pouco se mobilizam ou escandalizam (muito menos em agosto). Por distração, preguiça, medo, falta de compromisso consigo próprios, falta de consideração da ideia de bem comum, conluio? Aqui ficam três exemplos da normalidade do escândalo, coisas que conhecemos, mas, e então? É escandaloso, sim, mas é tão normal...

1. O Tribunal de Contas elaborou, em abril de 2021, um relatório sobre as parcerias público-privadas na área da Saúde. O mesmo diz que as poupanças resultantes da gestão privada dos Hospitais de Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Loures, atingiram cerca de 203,3 M de euros, no cômputo dos períodos analisados. Era o 5.º relatório sobre esta matéria entre 2014 e 2021, e todos realçaram as vantagens destas parcerias. Todavia, o governo decidiu acabar com estas parcerias e, num ato de demagogia que lembra a forma como a Rússia atribui culpas à Ucrânia pelos crimes de guerra que pratica, António Costa culpou os privados pela situação. Não é preciso lembrar o caos assustador em que estão os Serviços de Saúde Públicos em Portugal. Ou que, desde 1923, não tínhamos tantos óbitos por mês como desde o início deste ano...

Alguém tem um AVC, um ataque cardíaco ou um ataque de asma. O que faz? Vai às Urgências da área de residência? Não. Vai ao telefone, carrega a app, e começa, calmamente, a procurar as Urgências disponíveis. Que alívio...

2. No passado mês de julho, o mesmo Tribunal de Contas, a pedido da Assembleia da República, entregou o seu relatório à auditoria do Novo Banco (NB). Aqui diz-se que já foram injetados 3,4 mil milhões de euros e podem ser injetados até mais 1,6 mil milhões através do "mecanismo de capitalização contingente", leia-se, dinheiro que está a sair dos cofres do Estado (nosso). E diz-se que: "Porém, a utilização do mecanismo revela a incapacidade do NB (ou não ter o propósito) de gerar, com a sua atividade, níveis de capital adequados à cobertura dos seus riscos." Conclui-se que "a gestão do NB com financiamento público não salvaguardou o interesse público, e que o governo, o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução não fizeram o acompanhamento devido desta situação. O que se poderia ter feito com o dinheiro gasto descontroladamente?...

3. A comunicação social noticiou que o Ministério da Saúde tem agora uma app para se saber que Urgências estão abertas em que horários. É mesmo muito útil. Exemplo: alguém tem um AVC, um ataque cardíaco ou um ataque de asma. O que faz? Vai às Urgências da área de residência? Não. Vai ao telefone, carrega a app, e começa, calmamente, a procurar as Urgências disponíveis. Que alívio...

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