Semanologia

O que nos importa

1. Importa saber se o PSD se mantém (afirma) como o partido da alternância de governo. Concluído o Congresso que entronizou Luís Montenegro, há uma boa notícia: este conseguiu abrir os braços e acolher diferentes tendências, atitude que o honra. Só quem tem confiança nas suas qualidades é que se rodeia de fortes. São os fracos que, na liderança, preferem figuras cinzentas e de segundo plano a rodeá-los. O PSD, para mim, é uma casa. O meu pai e os meus tios ajudaram a fundá-lo no distrito da Guarda, em 1974. Militei na JSD desde que tive idade. Chorei a morte de Sá Carneiro a 4 de dezembro de 1980 e nessa década colaborei com o Instituto com o seu nome. Contribuí, na área da Cultura, para as moções de estratégias de diferentes líderes, desde Aníbal Cavaco Silva. Deixei o Partido em 2008, com Luís Filipe Menezes à frente. Acreditei na implosão do PSD, nessa altura. Estava enganado. O PSD reergueu-se, e foi decisivo para resgatar o País da situação em que os governos de José Sócrates o tinha deixado. Fui governante, nesse período, a convite de Pedro Passos Coelho. Comecei como independente, mas depois da crise governativa de Julho de 2013, pedi a refiliação. Apesar da crise que o Partido atravessa (não vale a pena negar), não acredito, como em 2008, na sua destruição. Sem esquecer a fraca liderança de Rui Rio, que critiquei desde que este se candidatou pela primeira vez. Vejo Luís Montenegro começar bem. Portugal precisa de um PSD que seja, efetivamente, Oposição. Não só atacando o Governo, mas apresentando alternativas, expondo o que está mal e dando esperança aos Portugueses. Tarefa essencial, num contexto nacional e internacional muito difícil. Mas é na dificuldade que se afirma a têmpera dos verdadeiros líderes.

2. A importância dos oceanos -- o nosso futuro, a nossa responsabilidade -- como diz a declaração final da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que terminou, em Lisboa, na passada sexta-feira. O texto termina com a seguinte frase: "Sabemos que restaurar a harmonia com a Natureza, através de oceanos saudáveis, produtivos, sustentáveis e resilientes é crítico para o nosso planeta, as nossas vidas e o nosso futuro." Importa que as palavras sejam acompanhadas pelos atos. Entretanto, no sábado que passou, o nosso Presidente da República e o ministro da Cultura, nadaram na praia de Copacabana, também conhecida como Princesinha dos Mares. Marcelo Rebelo de Sousa é, desde sempre, um nadador inveterado. E Pedro Adão e Silva um surfista assumido. Ambos têm, efetivamente, uma certa intimidade com o mar. Se, por vezes, pode parecer excessiva a transposição desta paixão para a vida pública, ao mesmo tempo, veja-se como pode corresponder ao reencontro simbólico e descomplexado dos Portugueses com os Oceanos. Um reencontro em novos termos, que precisa de promover a sustentabilidade, proteger os fundos marinhos e a qualidade da água, promover a economia do mar e valorizar a ciência e tecnologia aplicadas. Em tudo isso se estabiliza e valoriza o turismo e a nossa imensa linha de costa. Que estes braços abertos aos oceanos não seja um mero mergulho.

3. O que nos importa é o que faz dos dias e das noites lugares habitados. Procurar que até os desertos sejam a fratura que a flor espera.

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