Responsabilidade total

O desconfinamento trouxe mais do que bom tempo. Os partidos têm-se desdobrado em ações e congressos, portanto, iniciativas comuns em ano de eleições. Depois do BE ter realizado a sua Convenção Nacional, e enquanto o PS prepara o seu Congresso, assistiu-se ao MEL, o denominado "congresso das direitas".

(Re)Encontros à parte, fica uma sensação de desconforto quase como se um pequeno elefante permanecesse na sala. No "congresso das direitas" ficou-se a saber que alguns até querem (re)centrar a sua posição. Quiçá talvez devido aos resultados das sondagens sobre o seu abandono do tradicional Centro Democrático Social.

Sabendo que o consumo de açúcar sem moderação é nocivo para a saúde, e depois de tanto MEL, lá veio mais um congresso: o da Extrema-Direita. Um forrobodó de concentração de poderes e com direito ao saneamento de um punhado de dirigentes nacionais. E quando as aparências veiculavam uma suposta não interferência noutros órgãos, o resultado final foi: ganharam os mais próximos do "pequeno grande líder".

O PSD tomou uma decisão acertada ao estar ausente no encerramento do congresso de Coimbra. A presença da Liga Norte Italiana não é motivo de orgulho, mas sim de vergonha. Pessoalmente, e como católico, os princípios que norteiam o cristianismo são os da tolerância, respeito pelo próximo e solidariedade. Tudo oposto ao que é apregoado por essa força política italiana e pelo partido que os recebeu.

Nesta matéria, a responsabilidade do PSD terá de ir além de comunicados ou ausências em congressos. Os portugueses nunca darão a mão aos extremistas para formarem governo. E assim fica claro: o caminho só poderá ser percorrido com a ajuda dos Sociais Democratas. Daí que a obrigação da direita moderada seja muito mais do que acenar, testar limites ou cambalear ao sabor do vento. É necessária uma posição firme e condizente com os valores que advieram de Abril.

Muitos dirão que é uma questão menor, que se controla facilmente ou que nunca terão força suficiente para tomar o poder. Analisem-se as propostas autárquicas a ser apresentadas e os documentos aprovados no Congresso Nacional do Partido e retire-se daí a prova dos nove.

Terá Rui Rio coragem, mesmo com custos próprios, para travar uma hipotética tomada de poder pela extrema-direita? O comprometimento será exclusivamente seu. O papel que lhe está destinado é muito mais relevante do que se poderia imaginar: impedir o assalto ao poder pelas forças mais extremistas e desconexas que Portugal já viu. Uma direita oportunista, impreparada, xenófoba, racista, ou seja, só joio e nada de trigo.

A escolha acabará por ser aparentemente fácil para Rio: ajudar-se a si ou ajudar Portugal? A responsabilidade é total.

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