Pensar com método, agir com acerto

O mais famoso CEO da história americana, Thomas Watson, o homem transformou a IBM na poderosa multinacional que ainda é, tinha no seu escritório um letreiro em que se lia "Think", i.e. Pense.

Pensar corretamente, com lógica e de forma crítica é a base de todo o desenvolvimento humano. A lógica é fundamental para assegurar que o pensamento está isento de erros, de preconceitos e de baias ideológicas. A forma crítica é essencial para determinar o que está mal e propor novas soluções. É assim que a Humanidade avança.

Como todas as atividades humanas o pensar não é inato mas deve ser aprendido, treinado, exercitado. Infelizmente as escolas portuguesas, incluindo muitos cursos superiores, não foram desenhadas para ensinar a pensar mas antes para reforçar a memorização, repetindo acriticamente saberes passados.

Ser acrítico é não ver o que pode ser alterado, melhorado e, consequentemente, não ser capaz de mudar o mundo à nossa volta, de inovar. A Inovação começa sempre pelo espírito crítico. Não pela curiosidade mas pelo espírito crítico.

Tudo isto a propósito da questão da vacinação e dos menores perigos que hoje a sociedade apresenta. Esta verdade tem sido repetida sem conta e justifica a retirada de muitas medidas de proteção da expansão da epidemia. A verdade contudo é que em Agosto do ano passado, sem vacinação, o número de infetados e de mortos era menor do que este ano com a população vacinada em elevados números.

A vacina não funciona? Sabemos que a vacina não protege da contaminação e da posterior contaminação de outros. Assim a vacina não constitui barreira à transmissão. Tal como não o é a própria doença curada. Assim sendo a transmissão só pode ser controlada pelos meios anteriores - uso de máscara e confinamento.

A vacina protege da infeção grave e da morte. Mas não a 100%, ou seja quem é infetado, mesmo quando vacinado ainda corre perigo de vida, embora muito menor do que se não estiver vacinado.

Por último é já certo que as vacinas têm um prazo de validade relativamente pequeno, que alguns estimam em redor dos 6 meses. Pelo que as pessoas para terem a proteção da vacina, que não é de 100% precisam de receber uma terceira dose. Alguns países já avançaram para esta opção. Portugal hesita - qual será o custo em mortes desta hesitação?

A DGS refere que a taxa de infeção de pessoas vacinadas é muito baixa e não preocupante. Ora esse dado é absolutamente irrelevante. Imagine-se que todos os infetados tinham sido vacinados em janeiro, quando o número de vacinados era de escassas dezenas de milhares de pessoas. A taxa de infeções de vacinados seria altíssima. O número divulgado faz pouco sentido, mas foi difundido acriticamente pela comunicação social.

O que faz sentido é por exemplo agrupar os infetados vacinados por mês em que foram vacinados e, por exemplo, verificar as diferenças de taxa de infeção dos vários grupos. Para perceber se os que foram vacinados há mais tempo têm uma taxa de infeção maior. O que a ser verdade confirmaria a tese de que as vacinas têm uma proteção que vai diminuindo ao longo do tempo.

Mas em vez de raciocínio lógico-dedutivo prefere-se aceitar qualquer número sem sentido desde que seja tranquilizante e leve à inação - tudo está bem e não pode ser melhorado. Não é, assim, que se inova e progride.

Esta atitude complacente e preguiçosa tem de ser alterada para que Portugal não se transforme na cauda da Europa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG