Pai! Foi a música que a salvou!

Dilemas... Se por um lado tinha Obi-Wan a acenar que queria atenção, do outro lado tinha a última temporada de Stranger Things a reclamar pelo meu tempo.

Decidiu o meu filho! -Pai! Vemos a última temporada juntos?

E decidiu bem!

Assim que entrámos no 1.º episódio senti que, apesar do momento de partilha, íamos em veículos diferentes. O meu filho a transportar-se para um mundo imaginário repleto de monstros onde os heróis são crianças da idade dele, e eu a ser absorvido por um mundo, também imaginário, mas que aconteceu. Os cenários, as roupas, os penteados e claro... a música!

A relação musical com o enredo nesta nova temporada de Stranger Things é espetacularmente espetacular! Leram bem. É duas vezes bom! A letra de Running up that hill - A Deal with God (Kate Bush), é um casamento perfeito com a linguagem imagética, com as esculturas visuais de tons vermelhos do Mundo Invertido que vemos quando Max está a levitar, como que possuída pelo demónio Vecna.
A música é o veículo. É o Space Shuttle que nos atira não só para o imaginário dos anos de 1980, mas também para dentro da tela.

Durante a empreitada de episódios várias vezes levitei entre o sofá e os cenários. Viajei para a loja de aluguer de videocassetes onde ouvi Psyco Killer (Talking Heads) pelo meio de posters e de filmes como Dr. Jivago e andei de patins ao som de Rock me Amadeus (Falco), pelo meio de roupas e penteados que rolavam em círculos em perfeita harmonia com a bola de espelhos pendurada no centro da pista.

Stranger Things é uma brilhante cápsula do tempo que combina a ficção científica com os anos "80, estando repleta de referências à aventura e aos clássicos que marcaram a nossa juventude, sendo neste contexto a música um dos combustíveis mais eficazes que alimenta e faz esta cápsula viajar.

Desde Should I Stay or Should I Go (The Clash) na temporada 1, a Every Breath You Take (The Police) na 2.ª e passando pelo fantástico dueto de Suzie e DustyBun em que eles cantam The Never Ending Story Song (Limahl) na temporada 3 e Running up that hill - A Deal with God (Kate Bush) na 4.ª, a música assume claramente uma posição de destaque ao longo de todas as temporadas nesta ideia brilhante dos Irmãos Duffer. Ela está lá. Ouve-se em pano de fundo, move-se como personagem secundária ou até mesmo como figurante, mas a verdade é que foi a música que salvou Max. E isso não é coisa pouca!


Designer e diretor do IADE - Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia

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