Integração europeia - um projecto indispensável

Nenhum dos Estados nacionais que participam hoje na União Europeia tem dimensão, ou poder suficiente - militar ou outro -, para ser relevante, só por si, no concerto internacional das nações (apesar dos dois vetos no Conselho de Segurança da ONU). Mas a necessidade de ganhar relevância individual, numa Europa fragmentada, acabaria por levar alguns desses Estados a desenvolver as acções vistas como necessárias para o efeito. Nessas condições, a Europa acabaria, muito provavelmente, a digladiar-se internamente em conflitualidades, mais ou menos violentas.

Através do projecto de integração económica, social e política, a Europa tem conseguido conciliar pacificamente os diversos interesses nacionais e alavancar as capacidades individuais dos participantes numa projecção de poder - sobretudo soft power, é verdade, mas, ainda assim, "poderoso poder" -, muito superior à soma das partes, e que, juntamente com o "guarda-chuva" da NATO, lhe assegura a relevância que (ainda?) detém como protagonista, e instrumento fundamental de equilíbrio, da ordem internacional. Ao mesmo tempo que lhe assegura também as condições de prosperidade necessárias para aquela conciliação e para municiar o arsenal de soft power.

Visto nestes termos, o projecto de integração é, acima de tudo, um projecto político, de que as componentes económica e monetária - sendo muito importantes para o seu sucesso - são "meramente" instrumentais. E, sendo assim, as contradições do próprio projecto, incluindo as que se manifestam naqueles dois campos, têm de ser, em última instância, resolvidas politicamente, se se quiser garantir a irreversibilidade da integração.

A recente crise financeira que assolou a Europa, depois da crise financeira internacional propriamente dita, mostrou que o quadro conceptual em que tem assentado a união monetária é potenciador de divergência económica (e social) entre os países mais e menos ricos. E mostrou também que a moeda única não é indispensável à eficácia da integração europeia. Com excepção da Croácia e da Dinamarca, os países fundadores do euro tiveram, desde a criação da moeda única, o pior crescimento de toda a União Europeia; e Portugal, Itália e Grécia ficaram mesmo no fim da escala de toda a União.

A melhoria da eficácia da união monetária, para prevenir a sua desintegração, é, pois, um desafio político que as autoridades europeias terão de superar para manter o empenho de todos os povos no indispensável projecto de integração. E para contrariar eventuais contágios desagregadores irradiados pelo brexit.

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