Sobre um extremo na política

Politicamente, não há nada mais extremo do que a extrema-direita. É nesse campo que o discurso de ódio prolifera, em que a diferença não é aceitável, em que o estrangeiro não é bem-vindo, em que a violência verbal é muitas vezes acompanhada da violência física. É, portanto, nesta área que a democracia, a liberdade e a fraternidade mais são postas em causa.

Não que na extrema-esquerda não haja perigos semelhantes quando chega ao poder. Mas o discurso, a retórica e a teoria não é a mesma, antes pelo contrário. É sempre de igualdade, de inclusão, de união entre os povos, de proteção dos mais desfavorecidos. E esta mensagem faz toda a diferença. É por isso que os dois extremos não podem ser comparados quando se vive num regime democrático. Enquanto a extrema-direita fomenta o ódio, a extrema-esquerda fomenta a igualdade.

Para um democrata a grande questão é saber até que ponto se deve permitir que a extrema-direita continue a espalhar a sua retórica e até que ponto não se torna um perigo para a própria democracia quando concorre a eleições. Deve a democracia permitir que partidos ou movimentos antidemocráticos tenham a possibilidade de destruir a própria democracia? Não há uma resposta fácil. Se, por um lado, a natureza da democracia é permitir que todos exprimam os seus valores e que possam eleger e ser eleitos, por outro, quando a democracia pode ser posta em causa por valores extremistas, deveria ser colocado um travão. Este é um debate que as democracias deveriam fazer.

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