O precedente está aberto...

Chegámos ao ponto de os estúdios de Hollywood quererem agora desfazer-se dos seus filmes mais "artísticos" e vendê-los à Netflix. A Paramount prescindiu dos direitos internacionais de Aniquilação e fez um acordo com a Netflix, que assim consegue estrear na sua plataforma digital um dos filmes mais esperados da temporada. Abre-se assim o precedente que ameaça a vida comercial do melhor cinema de Hollywood nas salas. Fica-se com a ideia de que cada vez que houver cinema mais arriscado a vir das majors americanas, a solução será sempre esta. As consequências podem implicar um efeito de bola de neve e, num futuro próximo, filmes como Mãe!, de Darren Aronofsky (precisamente da Paramount), nunca mais os vamos encontrar num cinema perto ou longe de nós. O que é assustador neste caso é que uma obra como Aniquilação está fundamentalmente pensada para ser vista num grande ecrã. Os seus efeitos visuais em sintonia com um desconcertante jogo cromático pediam mesmo um ecrã gigante de cinema. A música de Geoff Barrow e Ben Salisbury suplica pela potência dolby de uma boa sala, já para não falar da genial fotografia de Rob Hardy. O próprio realizador do filme, Alex Garland, já veio a público mostrar a sua deceção com o acordo com a Netflix, salientando que Aniquilação é para ser visto nos cinemas. O problema maior nesta questão é que a decisão da Paramount terá que ver com os maus resultados em projeções-teste. Uma decisão puramente financeira e que denota que em Hollywood os executivos dos estúdios continuam a desconhecer o seu produto. Aniquilação nunca seria um filme popular como Arrival - O Primeiro Encontro (também da Paramount...), mas isso já se sabia, bastava ler o argumento e perceber toda a premissa conceptual do projeto. Aniquilação não fez dinheiro decente nos EUA, mas nunca, mas mesmo nunca merecia este castigo do seu estúdio...

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