Uma guerra de preço ou de poder?

Os fins justificam os meios? Depende dos princípios éticos e morais que são (ou não) colocados em causa para atingir os fins definidos, sejam eles de puro negócio ou de puro poder.

Na OPA, oferta pública de aquisição, da China Three Gorges (CTG) à cotada EDP - Energias de Portugal há princípios de Estado e de segurança que devem ser analisados, caso toda a empresa elétrica nacional passe para as mãos chinesas, as mesmas que já detêm a REN, outra empresa estratégica para a economia nacional e para todos os portugueses, particulares e empresas. Nada tenho contra o facto de o capital ter esta ou aquela origem, até porque o capital não tem pátria, mas há uma avaliação séria com sentido de Estado que Portugal deve e tem de fazer.

Na proposta que apresentou, a CTG - já detém 23,27% do capital social da EDP - oferece uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, ou seja, um prémio de 4,82% face ao valor de mercado e avalia a companhia em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A EDP já fez a sua análise financeira e individual. Considera que o preço oferecido pela CTG para adquirir a elétrica portuguesa é baixo e já o disse à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). "O conselho de administração executivo considera que o preço oferecido não reflete adequadamente o valor da EDP e que o prémio implícito na oferta é baixo considerando a prática seguida no mercado Europeu das utilities nas situações em que existiu aquisição de controlo pelo oferente", diz a mesma nota da EDP.

A empresa adianta ainda que irá pronunciar-se em "devido tempo sobre os demais termos da oferta" que serão dados a conhecer ao conselho de administração executivo da EDP através do envio pela CTG "do projeto de prospeto que incluirá o detalhe relevante do Projeto Industrial". O mesmo projeto que António Costa, primeiro-ministro, disse que quer conhecer, porque, segundo o primeiro-ministro, interessa é o projeto e não os acionistas.

Enquanto se aguarda, e se ouvem comentários tranquilizantes aqui e ali, é preciso também não fechar os olhos e os ouvidos ao facto de a operação não ser bem apreciada por vários mercados europeus, sobretudo por Bruxelas, e muito menos pelos Estados Unidos da América, onde a EDP detém a gigante Horizon Wind Energy.

Nesta novela, cujas cenas dos próximos capítulos ainda não se antecipam, há uma guerra de poder tripartida e latente entre a Europa, os Estados Unidos e a China. Mas há também uma disputa de poder por um dos lugares de gestão mais importantes entre as empresas portuguesas e europeias, no setor da energia. Afinal, António Mexia, atual presidente da EDP, é um dos gestores mais influentes e mais bem pagos no panorama energético.

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