Uma agenda agridoce em 2018

A agenda de 2018 do primeiro-ministro tem claramente os temas económicos inscritos nas primeiras linhas. Esta semana, António Costa veio confirmar que o défice ficará mesmo nos 1,2%. São boas notícias para arranque de ano. Agora falta saber se a nova meta de alcançar, de apenas 1% de défice, terá condições para ser atingida em 2018. O primeiro-ministro falou do país mas também da economia das empresas. Está confiante de que os apoios comunitários às empresas vão superar os dois mil milhões de euros este ano. Os empresários pedem agora maior celeridade na forma e no tempo como os dinheiros chegam até eles para serem aplicados na inovação e noutras áreas a que se destinem. O tema da estabilização do sistema financeiro, que em 2017 tanto preocupou o governo, banco central, acionistas, sindicatos e trabalhadores, aparentemente será menos preocupante em 2018. O chefe do executivo referiu que os chamados "bancos sistémicos" já têm os seus problemas resolvidos e isso dá agora melhores condições de financiamento para as empresas. Poderá ser demasiado cedo para declarar que todos os bancos estão totalmente estabilizados e, por outro lado, é preciso lembrar que os critérios de concessão de crédito estão cada vez mais apertados, o que faz que esse suposto desanuviar ainda não seja amplamente sentido em todo o tecido empresarial português. Aliás, há poucos dias o economista e chairman da SIBS, Vítor Bento, referiu que ainda há um problema com a escassez do crédito em Portugal. A descrispação entre empresários à procura de financiamento e os bancos poderá chegar durante este ano, mas, para já, creio que ainda é preciso esperar para ver. Dos temas que marcam a agenda falta ainda tocar em dois assuntos quentes: o desemprego e a Autoeuropa. No primeiro, vale a pena enaltecer o facto de o desemprego estar em queda (Portugal é o segundo país da UE com o desemprego a cair mais rápido),mas também é preciso sublinhar que o desemprego jovem continua a ser um dos mais altos da Europa e em sentido crescente. Este é um indicador que urge estagnar, através da criação de emprego qualificado e da da atração de investimento direto estrangeiro. Um dos maiores investimentos estrangeiros em Portugal é precisamente o da Autoeuropa, forte empregador e exportador, que volta a ser um tema agridoce na agenda do governo este ano, uma vez que, após as reuniões de ontem, a paz social ainda não regressou à empresa de Palmela.

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