O endividamento e o Natal

Todos gostamos de uma boa festa de Natal, de ter a família reunida à mesa, de dar graças, do sentimento de união e de pertença que se reforça nesta época festiva. Isto é o Natal, pelo menos para mim. O consumo desenfreado não sinónimo do verdadeiro Natal. Pode ser várias outras coisas: uma forma de compensar a atenção que não se deu aos filhos e aos familiares durante todo o ano, uma forma de colmatar alguma frustração, uma atitude de exibicionismo ou simplesmente um vício de comprar e comprar muito. Infelizmente para muitos portugueses o Natal é apenas e só isso: compras, sem sentido nem sentimento.

Perdoem-me os comerciantes, que precisam de vender e de faturar, mas voltemos a centrar-nos no essencial: o nascimento e a família.

Uma das consequências do deslumbramento com o crescimento económico que Portugal tem vindo a registar, trimestre após trimestre, é o endividamento. Este indicador económico tem tendência a acentuar-se, todos os anos, nesta quadra festiva. No final do mês passado foram revelados os números da dívida contraída pelos particulares junto do setor financeiro e essa dívida subiu 200 milhões de euros em setembro em relação ao mês anterior, segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal.

No total, o endividamento do setor não financeiro fixou-se em 721,1 mil milhões de euros em setembro de 2017, "dos quais 317,2 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 403,9 mil milhões ao setor privado.

Já no mais recente boletim económico do Banco de Portugal, de 15 de dezembro, o tema voltou a estar entre as preocupações. O banco central escreveu que "nos últimos anos, observou-se uma reafetação crescente de recursos para o setor dos bens e serviços transacionáveis, que se repercutiu num aumento do crescimento potencial da economia portuguesa. No entanto, permanecem fragilidades estruturais que não podem ser ignoradas. Estas fragilidades refletem-se no ritmo lento projetado para o processo de convergência real da economia portuguesa. O atual momento cíclico deve ser aproveitado para a correção dos grandes desequilíbrios macroeconómicos que permanecem, nomeadamente para a redução do endividamento público e privado." O Banco de Portugal já avisou que poderá acionar o travão a novos créditos e à concessão de crédito às famílias para compra de casa, em 2018. Não aumentar o endividamento e a taxa de esforço poderá ser uma das resoluções de ano novo de cada um de nós. Até para o bem das nossas famílias!

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Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

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João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.