E os jovens, pá?

A taxa de desemprego ficou abaixo dos 8% pela primeira vez em 14 anos. A taxa nacional caiu de forma significativa, mais propriamente para 7,8% da população ativa, em dezembro de 2017, revelaram ontem as estimativas provisórias do Instituto Nacional de Estatística (INE). Desde meados de 2004 que a intensidade do desemprego não era tão baixa, indicam as séries oficiais. Os dados de novembro faziam vislumbrar que viria aí uma nova era, uma vez que o INE reviu a respetiva taxa em menos uma décima de ponto percentual, ficando nos 8,1%. No mês seguinte, dezembro, os indicadores voltaram a surpreender: menos 119 mil pessoas sem emprego do que em 2016.

Preocupante tem sido, e já por vários anos, a taxa de desemprego dos portugueses mais jovens. Aliás, 2017 fechou com indicadores bastantes preocupantes nesse campo, quando comparados com a média da União Europeia.

Neste parâmetro, também desta vez há uma boa-nova que vale a pena partilhar: o INE revelou que o desemprego jovem, embora elevado, está a descer de forma equiparada ao desemprego total. Em dezembro, a taxa de desemprego jovem terá recuado para 22,1%, o valor mais baixo desde meados de 2008, ou seja, em quase uma década. No mês anterior, novembro, a proporção de pessoas sem trabalho com idades entre os 15 e os 24 anos já tinha baixado para 22,4% dos ativos nessa faixa etária (86,1 mil casos), face a 24,5% registados antes, em outubro.

A retoma da economia nacional explica estas melhorias. O turismo deu um fortíssimo contributo, bem como a generalidade dos serviços. Com o incremento das exportações, muitos postos de trabalho ligados às indústrias foram criados.Falta agora apostar forte em criar empregos mais qualificados e diferenciadores e que, no fundo, permitam aos jovens preparar-se para a era dos robôs.

As profissões repetitivas, sem valor acrescentado tenderão a acabar para os humanos e serão, num futuro mais breve do que se imagina, desempenhadas por robôs, muitas vezes mais eficientes e mais produtivos do que os humanos.

Isso só é possível com uma forte aposta na academia e no desenvolvimento do talento nacional, com uma maior aproximação entre universidades e empresas para que trilhem o mesmo caminho em vez de vias paralelas e que nunca se cruzam, e com captação de investimento direto estrangeiro que traga para o país não só call centers mas centros tecnológicos e de engenharia partilhados, criando emprego com futuro.

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