Vamos esperar pela Moody's para puxar pelo país?

Rosália Amorim

A Moody's, a única agência de notação financeira que ainda mantém Portugal num nível de "lixo", afinal só deverá rever o rating atribuído à nação a 20 de abril, segundo o calendário de 2018 anunciado ontem pela empresa. De acordo com os cronogramas de revisão de rating para o novo ano, da parte das quatro maiores agências de notação financeira, a Standard and Poor"s (S&P) será a primeira a pronunciar-se sobre Portugal já a 16 de março, seguindo-se a Moody's e a DBRS, que ambas anunciarão à data de 20 de abril, e por fim a Fitch, que guarda a sua sentença para o dia 1 de junho.

Entre estes quatro gigantes, só a Moody's continua a atribuir à dívida pública portuguesa uma notação de especulação, o "BA1", ou seja, o nível mais elevado da classe de "lixo", mas ainda assim com uma perspetiva positiva, o que quer dizer que, na próxima avaliação a Portugal, a 20 de abril, deverá melhorar o rating atribuído à dívida soberana portuguesa.

E até lá, como vai o país preparar-se para atrair investimento direto estrangeiro? Está na hora de apostar forte em roadshows que promovam Portugal não só do ponto de vista económico e financeiro, mas como hub para a Europa e para o mundo e plataforma de nearshore, como centro tecnológico e de desenvolvimento de um ecossistema de inovação e de startups, além de destino turístico de eleição.

É tempo de apostar numa real diplomacia económica. Depois das celebrações de Ano Novo, em que tantos balanços se fizeram e tantos recados foram deixados, não podemos ficar à espera até 20 de abril para reerguer a cabeça. Com lixo ou sem lixo por parte de uma das agências, está na hora de Portugal tomar as rédeas nas próprias mãos e preparar um ano que se pretende que fique marcado pelo crescimento e investimento, menos esquizofrénico que o anterior.

Arrancamos 2018 com o menor défice da democracia, o maior crescimento económico do século, o menor desemprego da década, um sistema financeiro a caminho da estabilização (com sustentabilidade?) e demos passos largos no trilho da modernização da indústria, da agricultura e da digitalização dos serviços.

A expectativa aumenta à medida que se somam as boas notícias para Portugal. Mas não nos iludamos porque o nível das dívidas pública e externa do país é muito elevado e é preciso aumentar a produtividade e competitividade. É isso que será avaliado pelos mercados e agências de rating, na nova ronda de avaliação. A poderosa S&P deverá avaliar Portugal a 16 de março. A Fitch será a última agência de rating a pronunciar-se sobre Portugal a 1 de junho.

Depois virá o verão, sempre animado pelo sol e praia e, espera-se, sem catástrofes relacionadas com os incêndios... E eis que já estaremos à porta da segunda ronda de avaliações: S&P a 14 de setembro, Moody's e a DBRS a 12 de outubro e Fitch a 30 de novembro. Vale a pena colocar estas datas na sua agenda ou outlook de 2018 porque, gostemos ou não delas, as agências continuam a mexer com o nosso bolso.