Quem é que disse que o Facebook já era?

A morte lenta do Facebook foi uma notícia grandemente exagerada. Desculpem-me a fácil variação sobre a frase de Mark Twain, mas não resisti, tendo em conta o que muito já se disse e escreveu acerca dos alegados efeitos do caso Cambridge Analytica. Em previsões nitidamente recheadas de wishful thinking, alguns analistas sublinharam o facto de a rede social ter reduzido (ligeiramente) o número de utilizadores ativos no último trimestre do ano passado (nos EUA e Canadá), ligaram-no aos estudos de mercado que diziam que os miúdos preferem o Instagram, e associaram tudo isto à sua ideia de que deveria haver uma real onda de fundo contra a plataforma por causa dos abusos na partilha de dados pessoais. E declararam que estávamos no princípio do fim de uma era.

Li e ouvi em variados locais frases como "as pessoas estão a abandonar o Facebook"; "o Facebook é visto como algo para velhos"; "as fake news vão acabar com o Facebook"...

Esta quarta-feira, dia 25 de abril, curiosamente, a empresa publicou os resultados do primeiro trimestre do ano. Declarou 12 mil milhões de dólares de receita (mais 50% do que o período homólogo), o que lhe deu uma valorização em bolsa de 7% nesse dia. Mais importante para esta discussão: o número de utilizadores ativos diariamente voltou a subir - todos os dias, no mundo, 48 milhões de novas pessoas utilizaram os serviços do Facebook. Nos primeiros três meses do ano foram registados 1,45 mil milhões de utilizadores ativos diários; são 2,2 mil milhões os utilizadores registados - mais 13% em comparação com o período homólogo.

Muita gente (que, como eu, das áreas de Humanidades) considera os números "estéreis" ou "secantes". Nada mais errado. São a mais eloquente forma de revelar a realidade subjacente aos fenómenos.

Apesar de todos os problemas que tem - e são muitos -, o Facebook continua a ser a plataforma que mais pessoas e empresas liga no mundo. Podemos não gostar do preço que ele nos cobra para lá andar (que não é, de facto, muito menos do que saber quase tudo sobre os nossos hábitos e gostos) ou de ele ser nesta fase praticamente monopolista no seu setor. Mas não querer medir e compreender a sua relevância no dia-a-dia da civilização é sinal de estar, decididamente, numa negação irracional.

Nova versão do Windows amanhã

A Microsoft lança esta segunda-feira a versão 1803 do Windows 10 - também designada Atualização de Abril 2018. Apesar de ser um feature update (i.e., uma versão que inclui novas funcionalidades), à primeira vista as maiores modificações são de pormenor. Entre elas, destacam-se os ajustes no aspeto do sistema, com uma maior e mais coerente aplicação do grafismo Fluent Design (transparências, efeitos luminosos, etc.).

A principal nova funcionalidade é a Timeline, sobre a qual aqui escrevi no passado dia 8. Trata-se de uma excelente forma de sistematizar as ações do utilizador nos últimos 30 dias que, para já, apenas peca por estar limitada ao histórico de navegação no Edge, às atividades nos programas do Office e aos artigos lidos nas apps MSN. Mas a perspetiva é abrir o serviço a mais programas, construindo assim uma completa "máquina do tempo "que é acessível em qualquer Windows 10 em que o utilizador esteja conectado com a sua conta Microsoft.

Outra interessante novidade é o Nearby Share. Uma função parecida com o AirDrop da Apple, permite enviar facilmente ficheiros entre máquinas próximas, seja por wi-fi ou Bluetooth.

Não houvesse mais nada (e há mais melhorias, nomeadamente a nível de desempenho), estas funções já seriam mais do que suficientes para ir ao Windows Update procurar esta atualização.

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