Como adiar ao máximo o batterygate da Apple

O escândalo de a Apple reduzir, propositadamente, o desempenho dos seus telemóveis - sem avisar o consumidor de que o está a fazer - ainda tem várias questões por responder, nomeadamente em Portugal. Desde logo, a questão de saber quando exatamente chegará ao nosso país o programa de troca de baterias a preço reduzido. Tal como o DN noticiou esta semana (www.dn.pt/i/9021167.html), espera-se que o mesmo venha a ser disponibilizado até ao fim do mês, mas não há ainda data definida.

Entretanto, nos Estados Unidos, o programa já teve início (um mês mais cedo do que inicialmente previsto) e, segundo a imprensa especializada, o número de pessoas que já o utilizou é elevado. Sendo a natureza humana aquilo que é, provavelmente muitos dos que o fizeram nem precisavam, mas o resultado líquido ainda vai ser (digo eu) lucrativo para a Apple.

A propósito de todo este caso, por conversas de colegas e amigos, apercebi-me de que mesmo nos tempos que correm ainda há muitas dúvidas sobre a melhor forma de prevenir o desgaste da bateria - e, consequentemente, a ser absoluta verdade a explicação da Apple, muitos não sabem como evitar durante o máximo tempo possível o "abrandamento" do iPhone. (Mesmo que não tenha iPhone, as dicas seguintes aplicam-se a qualquer aparelho com bateria de iões de lítio - telefones, tablets, etc.)

Nunca deixe descarregar a bateria por completo. Os iões de lítio "precisam" de estar permanentemente com alguma tensão (ao ponto de, se a carga chegar mesmo a zero, ser possível a bateria não voltar a carregar). Carregamentos intensos - de 1-2% a 100% numa única dose - envelhecem prematuramente as baterias.

Carregue o telefone em pequenas doses de cada vez sempre que puder, mesmo que seja apenas por alguns minutos. Esqueça a velha ideia de que a bateria ganha "memória" de carga (aplicava-se às baterias de níquel, comuns no fim do século passado, mas não acontece com as de lítio).

Tente manter a carga da bateria do seu telemóvel entre 65% e 75%. Quem o diz é o site especializado Battery University. Claro que não é possível fazê-lo o tempo inteiro (nem vale a pena ficar obcecado com isso), mas tentar, de alguma forma, manter a carga mais ou menos nestes níveis é boa ideia.

Faça por não deixar a carga cair com frequência abaixo dos 45%. E evite continuar a utilizar o aparelho, sem o pôr a carregar, se o nível cair para os 25%.

Evite carregar a bateria sempre a 100%. Estar com a carga completa provoca stress nos componentes internos das baterias, que acabam por se desgastar mais depressa.

Em consequência do ponto anterior, é também má ideia deixar o aparelho a carregar a noite toda. Especialmente utilizando "carregadores rápidos", como os que vêm com a maioria dos smartphones Android de gama alta (e podem ser comprados para o iPhone X), que utilizam uma intensidade de corrente (amperagem) maior. (Em boa verdade, o próprio telefone deve "proteger-se" de situações de sobrecarregamento, deixando de "aceitar" corrente quando a bateria está plena, mas mesmo que o sistema nunca falhe, vai fazer por manter a carga a 100% e isso, como referido, acelera o envelhecimento da mesma)

PS.: No fim desta semana, foi noticiado um grave problema de segurança nos processadores Intel (ou deste tipo) que supostamente afetariam todas as máquinas (Windows, Mac, Linux...) com estes componentes. A sua resolução, segundo os primeiros relatos, levariam a uma redução de desempenho na ordem dos 30%. No entanto, a Intel veio posteriormente desmentir a maioria dos factos relatados - ainda que aparentemente seja certo que foi descoberta uma forma de explorar uma vulnerabilidade até agora desconhecida nestes processadores. Uma vez que, ao que tudo indica, os detalhes técnicos só deverão ser conhecidos na próxima semana, esperarei por estar na posse desses elementos para escrever sobre o assunto. Espero assim pelo menos evitar dizer asneiras...

Exclusivos