Aquele momento em que vês que a máquina sabe mesmo tudo

Aatualização da primavera do Windows 10 está prestes a chegar - o lançamento para o público em geral deverá ocorrer neste mês - e uma das suas mais interessantes novas funcionalidades é, ao mesmo tempo, excitante e psicologicamente perturbadora.

Trata-se da Timeline, que dá ao utilizador a capacidade de "voltar atrás no tempo", isto é, ver a lista do que tem andado a fazer no computador.

Prometida para a atualização de outono, a nova ferramenta foi adiada seis meses e está presente na versão 1803 do Windows 10, que foi já entregue aos Insiders - os utilizadores que se inscrevem para ser "cobaias" dos novos desenvolvimentos do sistema operativo da Microsoft.

Apesar de não estar ainda totalmente terminada - haverá mais funcionalidades a incluir em futuras atualizações -, a Timeline revela-se desde o primeiro momento simples, prática e um pouco... assustadora.

Cerca de uma hora após a atualização se instalar (e depois de eu ter autorizado a ativação da nova ferramenta), um simples clique no ícone respetivo que passou a existir na barra de tarefas leva-me para um ecrã onde vejo todas as apps que tenho abertas em simultâneo e uma linha cronológica com as atividades recentes no PC.

Inicialmente o histórico está limitado aos últimos minutos, mas é-me proposto que autorize a recolha e o processamento dos dados dos últimos 30 dias. E como sou daqueles que têm dificuldades em não carregar num botão para ver o que acontece... carreguei.

Para já, o histórico apresentado (em mosaicos um pouco maiores do que os presentes no menu Iniciar) resume-se à navegação feita no Edge, o browser da Microsoft, e ao que foi lido na app Notícias que vem por defeito com o Windows 10. Mas mesmo assim impressiona.

(Por exemplo, não me lembrava nada de ter consultado, a 30 de março, um artigo da Al-Jazeera sobre uma artista holandesa que captura poluição em cristal e faz joias com esses elementos. Cliquei para relê-lo.)

Objetivamente, a funcionalidade está ainda incipiente. Mas psicologicamente é um pouco arrepiante ver de forma tão clara como a máquina sabe o que é que eu andei a fazer. É verdade que grande parte do que lá está se encontra no histórico de navegação do browser, mas neste caso é a apresentação (com imagens e tudo) que faz toda a diferença. E uma vez que, em breve, praticamente toda a atividade do utilizador no computador será aqui colocada, esse efeito só tenderá a ser amplificado.

Ao mesmo tempo, diga-se, aumenta-se a transparência do processo. É obviamente inevitável que o sistema fique com um registo de cada ação nele praticada. Com a Timeline, quando estiver a funcionar em pleno, pelo menos fica fácil ver que dados são esses.

Se lá encontrarmos depois algo que nos envergonhe, isso já é problema nosso.

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