A fila para os elevadores nas Torres de Lisboa

Há um mês, foi instalado um software novo nos elevadores do edifício E das Torres de Lisboa. Carrega-se no número do piso pretendido e um mostrador indica qual o elevador a tomar. No ascensor A seguem as pessoas para os pisos 3, 7 e 11, por exemplo. O objetivo é gerir de forma mais eficiente os sobe e desce de pessoas, permitindo poupar tempo e energia. O edifício tem afinal 15 andares, alberga um bom milhar de trabalhadores e os quatro compartimentos não eram de todo suficientes para transportar esta gente toda.

As coisas pioraram em 2018, quando o Hospital da Luz decidiu instalar nos primeiro e segundo pisos da Torre E os centros de atendimento das seguradoras. A partir dessa altura, no meio de jornalistas, gráficos e programadores que trabalham em seis pisos, os elevadores passaram também a ser tomados por pacientes com acidentes de trabalho, que vêm aqui receber tratamentos médicos.

Durante meses, a vida no edifício E foi um pesadelo. Percorrer o caminho entre o posto de trabalho e a rua era coisa para demorar uns bons 15 minutos. Ir tomar um café significava uma boa meia hora, um cigarro ocupava 20 minutos. De manhã e à hora de almoço formavam-se filas que chegavam a ter mais de cem pessoas à espera do ascensor. No início deste ano, a tensão no edifício E das Torres de Lisboa era visível. As pessoas que aqui trabalhavam perdiam a paciência, respondiam torto aos pacientes do hospital, questionavam as enfermeiras por que raio não se arranjavam os elevadores internos que o estabelecimento de saúde tem para o primeiro e o segundo pisos, suspiravam de alívio quando conseguiam entrar no ascensor sem parar naqueles dois pisos.

Finalmente, no início de março, chegou o novo software. Muitos pacientes não o sabem usar, ainda há filas para apanhar o elevador, mas não é injusto dizer que o tempo de espera reduziu para metade. Mas há isto: durante um ano, uma centena de pessoas teve de fazer fila, à espera de um elevador, para poder ir trabalhar. Aconteceu num edifício emblemático da modernidade lisboeta. Das Torres de Lisboa vê-se o atraso que nenhuma fachada envidraçada consegue disfarçar.

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