A descoberta do "querido mês de agosto"

Ruas vazias, estradas sem trânsito. Salas climatizadas, longe de praias atulhadas e de subúrbios virados para o mar tomados por pés-de-chinelo. Durante anos esta era a lista das maravilhas pronta a disparar a quem me perguntava porque não gostava de ir para fora em agosto. Sim, na adolescência tínhamos as gloriosas e intermináveis férias grandes, que se estendiam por todo o verão.

Sim, também eu tinha família emigrante, mas sempre fugi dos seus anuais e estridentes regressos ao país. E sim, também eu fazia viagens a esse lugar mítico que era - ainda é - "a terra da minha mãe". Mas foi preciso chegar aos 18 anos para perceber, com quem sempre o amou, o encanto do mês do calor.

Só comecei a perceber o que era o "querido mês de agosto" naquele verão de 1998, quando atravessei a serra da Lousã numa velha camioneta vinda de Coimbra, que me deixou na Pampilhosa da Serra, espaço de ébria liberdade nos nove verões seguintes. O "querido mês de agosto" passou então a ser sinónimo de amizade. Outros dez verões se passaram entretanto, agostos de road trips e de boémia, primeiro, e depois de fraldas carregadas de areia e de birras que o calor e o cansaço incendiaram. Hoje já não imagino férias de verão noutro mês, não só porque os infantários a isso nos obrigaram, mas porque nasceram neste mês algumas das nossas melhores memórias. Porque, para nós, o "querido mês de agosto" passou a significar uma outra coisa, a mais importante de todas: família.

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