Pedro Tadeu

Viagem cultural romena em véspera de centenário

Um filósofo da linguagem observava que, depois de uma pessoa aprender uma língua, esta não poderá voltar a ouvir como aquela língua soa para uma pessoa que não a fala. Por outras palavras, não podemos voltar a perceber a musicalidade pura das sílabas, uma vez que percebemos o significado das frases. Parece que algo semelhante acontece quando nos aproximamos de uma cultura diferente: à medida que nos familiarizamos com essa, o exotismo sentido ao primeiro contacto dissipa-se. Contudo, o preço pago é pequeno face àquilo que ganhamos: o próprio significado por detrás dos sons articulados.

Liliana Ţuroiu

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Anselmo Borges

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."

João César das Neves

PGR nomeada, jornais enxovalhados

Por vezes os políticos querem dizer o que pensam ou o que querem fazer, mas não querem assinar o que fica dito. Então, o político faz saber ao jornalista a mensagem e cuida para que ela vá anónima, mas com aquele perfume de sugestão de que a mensagem é mesmo verdadeira. Isso não é necessariamente incorreto, logo que seja entendido como raro e não prática corrente. Da fonte (o político), exige-se que não minta; do mensageiro (o jornalista), que tente confrontar com outras fontes o que lhe foi dito. E sobretudo, de ambos, exige-se boa fé.

Ferreira Fernandes

Bolsonaro, curiosidade ou fúria

Perante um fenómeno que nos pareça ultrajante podemos ter uma de duas atitudes: ficar furiosos ou curiosos. Como a fúria é o menos produtivo dos sentimentos, optemos por experimentar curiosidade pela ascensão de Jair Bolsonaro, o candidato de extrema-direita do PSL em quem um em cada três eleitores brasileiros vota, segundo sondagem de segunda-feira do banco BTG Pactual e do Instituto FSB, apesar do seu passado (e presente) machista, xenófobo e homofóbico.

João Almeida Moreira

O Politicamente Correcto contra Rui Rio

Ainda o sol não se tinha posto e já, no espaço mediático, zuniam insectos destinados a infectar o futuro político de Rui Rio, eleito Presidente do PSD nesse dia. Porquê? Por falta de experiência política não seria. Muito menos por escassez de coragem, inteligência, prudência e bom senso. Porém, a fúria revelava-se tamanha e destemperada. Estranho! E tanto mais estranho, porque nos discursos não se detectava qualquer razão plausível justificativa do azedume. Excepto talvez uma: Rio não é um político da moda sem ser fora de moda. Não diz e, sobretudo, não faz o que é suposto dizer-se e fazer-se.

Carlos Mota Cardoso

"Sem emoção não há uma boa relação"

PremiumA frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Rosália Amorim