Travões no populismo

O Reino Unido está a negociar a saída da União Europeia na sequência do brexit. Não se sabe ainda nem quando nem como os súbitos da Rainha Isabel II se vão divorciar da UE. Sabe-se que o processo e a divisão de bens vão deixar marcas, até porque este é (ainda é) um dos Estados que mais contribuem para o orçamento comunitário. A participar nas Conferências do Estoril, Nigel Farage, ex-líder do partido britânico UKIP e o principal promotor do brexit , no estilo populista e cáustico que o caracteriza, aconselhou o "pequeno" Portugal a emancipar-se também para não ser um mero satélite da Alemanha. Se para o grande Reino Unido a saída será suada, para os pequenitos portugueses tornar-se-ia um verdadeiro pesadelo.

O brexit pode ser a pior coisa que aconteceu à UE desde que os fundadores pensaram esta união de Estados, mas tem um lado positivo: obrigou as instituições europeias a olhar para o umbigo (o que já deviam ter feito a tempo de evitar as ruturas) e a perceber que os cidadãos europeus têm estado, estão, insatisfeitos com a situação imperfeita e cheia de espinhos da UE. Sobretudo nos países com economias mais débeis da zona euro. A Comissão Europeia propõe agora que seja alcançado um acordo até 2019 sobre os dois mecanismos que faltam para concluir a união bancária: o fundo de resolução bancária e o fundo de garantia de depósito europeu. Medidas necessárias para robustecer o sistema financeiro europeu, evitar novas crises e dispensar, pelo menos durante bastante tempo, as doses cavalares de austeridade, que mataram mais do que trataram a doença.

Esta semana há outro "choque" além do brexit e que pode fazer despertar parte do mundo para um problema do presente e do futuro. Donald Trump prepara-se para anunciar a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Um acordo assinado no final de 2015 entre 195 países e ratificado por 147, incluindo os dois maiores poluidores do planeta, China e EUA. A adesão ao acordo foi, aliás, uma das últimas decisões de Barack Obama na Casa Branca.

Em vez de ficar a carpir mágoas, o secretário-geral das Nações Unidas, que por acaso é o português António Guterres, deixou a mensagem essencial: "O comboio da sustentabilidade já deixou a estação. Entrem a bordo ou deixem-se ficar para trás". No Estoril, o Nobel da Paz Rajendra Pachauri também foi claro na solução para ultrapassar o marasmo no combate às alterações climáticas: "Os líderes das outras nações tomem a iniciativa e avancem." Responder aos problemas é sempre a melhor forma de travar os populistas.

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