Todo o cuidado é pouco

O mercado publicitário em Portugal está a crescer. Os números não coincidem em todas as notícias, até porque as formas de análise também são diferentes, mas o pano de fundo é o mesmo: há mais investimento, a televisão é dominante e cresce tanto em sinal aberto como na televisão paga, o online mantém um alto ritmo na sua (ainda) baixa performance e a imprensa continua a cair, embora seja legítimo associar algum do crescimento do online ao trabalho que a imprensa tradicional está a fazer na sua operação digital. Esta notícia, conhecida durante a semana, é boa para o mercado - sempre o "mercado" - os acionistas e com certeza os profissionais, mesmo que estes enfrentem tempos incertos. Há projetos novos e comprovadamente bem concretizados, como o Observador, mas há também grupos em reestruturação, como a Controlinveste, que detém o DN e outros que, mesmo com receitas sólidas, estão dependentes do alinhamento internacional como será o caso da Media Capital, detentora da TVI e da Rádio Comercial, entre outras marcas fortes.

Após anos de estagnação o investimento publicitário dera já bons sinais no final de 2013, e esses bons sinais foram agora reforçados nos primeiros meses do ano embora os responsáveis chamem a atenção para o efeito do Mundial e antecipem uma ligeira quebra no segundo semestre. Mesmo que ela não suceda, e em rigor o que se passar com a publicidade está em grande medida ligado ao que acontecer na economia portuguesa, no que constar do Orçamento do Estado, no resultado da crise do PS e fiquemos por aqui - que se entende bem a prudência dos gestores das empresas de media. Seria mais fácil e seria até talvez o momento de ter algum arrojo no investimento e na criação de soluções novas que desafiassem os profissionais. Sucede que que os grupos de comunicação social não vivem numa bolha e qualquer espirro na atividade económica significa uma constipação, leia-se um abrandamento, do investimento. Há razões para ter algum otimismo, sobretudo após uma era de trevas, mas todo o cuidado é pouco.

Cem mil

Num país onde a penetração da internet ainda é relativamente baixa o Big Brother Angola, com 28 dias de exibição, vai atingir neste fim de semana o impensável número de cem mil fãs na sua página oficial do Facebook. Se somarmos a essa página outras não oficiais, igualmente com milhares de pessoas, entendemos a dimensão do fenómeno também fora da televisão. Para o leitor ter uma ideia comparativa, a ZAP Novelas, um dos canais mais importantes da televisão por subscrição em Angola, tem cerca de 114 mil fãs, mas ao fim de dois anos.

Polémica estéril

Segui à distância, leia-se pelas redes sociais, a polémica que rodeou uma entrevista de Fábio Coentrão dada a Daniel Oliveira e não a um jornalista de carteira passada. O futebol é dado a estados de alma exacerbados. Não conhecendo detalhes e tendo - como é público - uma relação próxima com o Daniel, tenho a certeza de que ele se limitou a fazer bem e mais depressa o seu trabalho. O que salta à vista é que nem tudo vai bem na relação dos jornalistas com a Federação e isso, sim, deve ser resolvido. A RTP tem em Hugo Gilberto a pessoa certa para desbloquear o problema.

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