30 anos de MIP

Começa amanhã, em Cannes, o MIPCOM, uma das duas edições anuais do mais importante mercado de televisão do mundo. É certo que o MIP, a celebrar a 30.ª edição, já foi mais relevante, desde logo, porque o mundo ficou mais pequeno e os conteúdos viajam mais rapidamente tornando menos importante o ritual semestral do encontro dos executivos de televisão. Ao mesmo tempo, decorrem hoje mercados com o mesmo foco em diferentes zonas do globo - de África à Ásia ou ao Leste da Europa -, onde muitas vezes os produtores preferem apresentar determinados produtos mais dedicados aos consumidores dessas regiões.

Mas, apesar da erosão do tempo, o MIP é ainda o maior certame do género e vale muito pela possibilidade de encontro que cria entre os representantes da indústria seja em reuniões formais, em ciclos de conferências ou mesmo em encontros informais nos quais muitas vezes se fecham os melhores negócios.

Na edição deste ano, o país em destaque é o México, um grande produtor de conteúdos à escala mundial com provas dadas na televisão e também no cinema com uma grande de atores e realizadores. O México, com a Televisa à cabeça, é mesmo um dos maiores produtores de ficção, com destaque para as novelas que, em quantidade, qualidade e volume de negócios, medem forças com a TV Globo e com a Telemundo, a divisão hispânica da NBC-Universal.

A escolha do México, como a da Venezuela, a da Argentina ou a de alguns países da Europa em anos recentes, remete para a existência de uma política do audiovisual que, infelizmente, não existe em Portugal. Não existe nem nunca existiu. Ou seja, não decorre da crise. Nos anos 1980, a RTP, via RTC, chegou a tentar vender conteúdos produzidos em Portugal. Mais tarde, a TVI - com a Plural - fez o mesmo, mas nunca houve uma estratégia nacional, e isso é quase caso único ao nível europeu.

No nosso caso, cada um vai por sua conta e risco. Portugal também nesta área é um país sem política e sem estratégia. As coisas são o que são.

Barca do Inferno

O novo programa "Barca do Inferno" colocou a RTP Informação no mapa mediático. Uma boa aposta da equipa de José Manuel Portugal a seguir nas próximas semanas.

Quando?...

O dIretor de Informação da RTP, como lhe compete, desdobrou-se no lançamento dos novos programas. Há boas ideias e um bom conceito - as notícias de meia em meia hora que conhecemos da rádio, mas que nenhum canal usa em televisão.

O que não se percebe é o lançamento da nova imagem apenas em janeiro. Temos, pois, uma reestruturação feita aos pedaços quando a RTP Informação precisava de uma entrada forte para fazer frente aos concorrentes e se afirmar como alternativa. Não lembra a ninguém.

Se fosse apenas um frente-a-frente entre Manuela Moura Guedes e Isabel Moreira, seria melhor; se Nilton - mesmo informado e esforçado - encontrasse o tom certo, seria melhor; se Marta Gautier saísse de cena - como saiu -, seria (e será) melhor.

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