Sic Transit Gloria Mundi

Na edição online do DN fico a saber que 13% do PIB nacional está nas mãos de apenas 45 milionários. Ao regressar a casa da pastelaria passo por uma loja difícil de catalogar (móveis, peças de electrodomésticos, coisas velhas que ainda não são antigas) e vejo na montra um letreiro bizarro: "Vendemos barato porque isto vai acabar."

Há dias em que a sorte conjura para nos fazer pensar. Afinal, se tudo isto tem um fim, porque vivem uns acumulando riquezas como se as pudessem aplicar em condomínios extra-terrenos enquanto outros abrem as mãos pródigas, semeando ao vento o que não querem ou não podem carregar?

Quem souber que responda, eu vou ali à loja comprar um abat-jour porque isto vai acabar.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.