Sic Transit Gloria Mundi

Na edição online do DN fico a saber que 13% do PIB nacional está nas mãos de apenas 45 milionários. Ao regressar a casa da pastelaria passo por uma loja difícil de catalogar (móveis, peças de electrodomésticos, coisas velhas que ainda não são antigas) e vejo na montra um letreiro bizarro: "Vendemos barato porque isto vai acabar."

Há dias em que a sorte conjura para nos fazer pensar. Afinal, se tudo isto tem um fim, porque vivem uns acumulando riquezas como se as pudessem aplicar em condomínios extra-terrenos enquanto outros abrem as mãos pródigas, semeando ao vento o que não querem ou não podem carregar?

Quem souber que responda, eu vou ali à loja comprar um abat-jour porque isto vai acabar.

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O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

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