Resoluções de Agosto

Nuno Camarneiro

Os olhos ensaiam um último vislumbre do Tejo antes que a torre norte da ponte encerre o parêntese das férias. É tempo de escolher as resoluções de Agosto, mais importantes do que as de Janeiro, toldadas pelo álcool e uma certa ilusão de começo. Decido viajar mais por prazer e menos por trabalho, reservar tempo para os amigos, caminhar pelo prazer de caminhar, respirar fundo e dormir noites inteiras. Aspirações razoáveis, justas, vitais.

Assim que arrumo a mala consulto o correio electrónico e as mensagens atrasadas no telemóvel - feiras do livro, encontros de escritores, sessões variadas, reuniões, o calendário das aulas. O sorriso torce-se resignado, a resolução é, afinal, a mesma de sempre: este ano vou tentar sobreviver.

Nuno Camarneiro