A minha terra é o Benfica

O André tem nove e o Pedro tem quinze, são filhos de pais separados e já moraram em várias casas, alguns bairros e até em cidades diferentes. Sou amigo da mãe do André e do pai do Pedro e passámos férias juntos, fiquei amigo deles também.

O André é do Benfica, vê-se pela camisola do Pizzi que enverga dia sim, dia não, a bola com o símbolo do clube e até o pijama com a águia Vitória. O Pedro é do Sporting, mais discreto na indumentária mas "muito doente", é ele que o diz. Vai acompanhando as polémicas de Alvalade com a testa enrugada e "sempre a sofrer", é ele que o diz.

Numa manhã de praia perguntaram-me de onde eu era e eu devolvi a pergunta. Hesitaram, encolheram os ombros, e foi o André que respondeu: "De onde é que eu sou? Sou do Benfica!".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.