A família que se escolhe

- É a pior altura do ano, as conversas acabam sempre por azedar e vêm à superfície os mesmos problemas antigos.

Quem fala é uma amiga que não suporta o Natal. Ou talvez não suporte a família e a proximidade a que a quadra obriga. Entendo, aceno e penso o contrário.

Fala ainda dos amigos, a que chama "a família escolhida", e eu entendo, aceno, mas penso o contrário.

Os meus natais já tiveram mais gente mas também já tiveram menos. O Natal mais difícil foi o de 1997 e éramos só quatro, eu, os meus dois irmãos e o meu pai. À tristeza profunda que sentimos naquele dia corresponde a felicidade de seguirmos juntos vinte anos mais tarde, de termos aprendido a crescer e a aceitar, primeiro só os quatro e logo com a nossa segunda mãe e a nossa quarta irmã. Sobrevivemos a muitas separações, mortes e crises e escolhemos permanecer juntos mesmo nos momentos mais difíceis. Até hoje não falhámos um único Natal.

É o que vos desejo a todos, que possam encontrar alguma felicidade neste Natal.

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