Corrimentos e migrações

1 Sim, eu sei que a televisão generalista é abrangente, versátil e diversificada. Eu sei que é o público mais velho, e sobretudo as mulheres, que vê televisão generalista durante o dia. E sei também que a prestação de serviço público é também uma obrigação, nem que seja de natureza moral e social, das empresas privadas de audiovisual. É tudo verdade, mas há limites. Ontem, quando olhei para a televisão, às 17.30, apanhei um susto. O som estava desligado, mas um dos ecrãs estava na SIC. Na imagem, em rodapé, estava a expressão "corrimento vaginal". Uns minutos depois, o oráculo alertava-nos para "unhas encravadas". Logo a seguir, a coisa melhorou, enfim: "Remédios caseiros para a tosse seca." Alguém se importa, por obséquio, de ir ali a Carnaxide explicar à SIC como é que se fazem conteúdos para o day time? É que eles já souberam...

2 As noites de domingo na RTP1 há muito que eram difíceis. A artilharia pesada da SIC e da TVI não deixa o operador público sequer respirar. A coisa piorou nas últimas semanas. Breviário Biltre, um bom produto das Produções Fictícias mas com um humor non sense que está longe de ser do agrado do grande público, e Uma Família Açoriana, uma série com Nicolau Breyner e Maria João Luís, têm uma audiência residual. Neste domingo nem chegaram aos 200 mil espectadores, menos de 4% de share. Bem pode Poiares Maduro abrir caminho à I Liga na RTP; bem podem os programadores do primeiro canal apostar numa programação horizontal ao dia de semana. Talvez assim se consiga agarrar os públicos que a RTP tanto procura e que continua a ver migrar para outras paragens.

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