Está aí alguém?

1. A RTP tem as costas larguíssimas, já se sabe. Ainda ontem ouvi alguém, no meio de uma discussão sobre a fúria privatizadora do governo, justificar o seu apoio tácito aos argumentos de Miguel Relvas com a frase: "o nosso dinheiro não pode servir para novelas e reality shows." E eu subscrevo. O nosso dinheiro não pode servir para novelas e reality shows. E não serve, porque se há coisa que a RTP não produz são estes dois formatos (enfim, exibe ficção brasileira à hora de almoço, mas não a produz).

Trouxe este exemplo aqui apenas para falar sobre o facilitismo com que hoje se fala da RTP. Como a RTP nos entra em casa todos os dias, como o seu sustento nos sai do bolso, temos todos a convicção que estamos habilitados para falar dela. Não estamos.

A nossa ignorância, essa, vai servindo para formar opinião. Muitas vezes sem sentido, mas a democracia também é isso: a possibilidade de dizer disparates com o ar mais sério do mundo...

2. O constante desinvestimento nas redacções televisivas tinha de dar mau resultado. Os três canais informativos portugueses revelam uma cada vez maior preguiça jornalística. Os meses de Verão têm sido, a esse respeito, paradigmáticos. Os canais informativos limitam-se a mastigar a informação relevante que os jornais apresentam todos os dias, num canibalismo inaceitável que vai, a seu tempo, ajudar a matar os jornais. Todos os dias é assim. Todas as manhãs, o dia arranca sem uma história própria, gerada na redacção das televisões, onde há jornalistas e fontes. É um copy paste dos tempos modernos, a que se junta um comentador em estúdio ou uma antena aberta para ocupar uma hora e tal de emissão.

Apetece perguntar: mas, afinal, está aí alguém?

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