A SIC e a Globo

A viagem da Globo a Portugal, marcada para amanhã, pode significar mais uma etapa na histórica relação entre a empresa brasileira e a SIC. Em 1992, quando foi criada, a estação brasileira tinha um apoio efectivo da família Marinho. Era uma relação emocional, mas era negócio. Depois da morte de Roberto Marinho, perdeu-se o afecto, e o negócio conheceu algum afastamento.

A comitiva da Globo estará amanhã em Lisboa para apresentar com a SIC a nova parceria na ficção, que passa pela produção de um remake português do sucesso brasileiro Dancing Days. Mas não só. SIC e Globo, de acordo com informações da própria empresa, preparam-se para oficializar este namoro na ficção e criar uma produtora de capital misto, com o know how da Globo e o saber-fazer que a SP, nos últimos anos, aprendeu.

A ideia é boa e é a garantia de que a SIC quer mesmo roubar o protagonismo da ficção à TVI. Com a Globo definitivamente ao seu lado, a estação de Carnaxide ganha poder de fogo no ataque à Plural e os actores exclusivos do canal líder de audiências.

Mas neste xadrez difícil, em que a crise ameaça a competitividade das empresas portuguesas, a reaproximação da Globo à SIC pode ser a melhor solução para Balsemão.

Com o mercado publicitário completamente seco, com a perspectiva da privatização da RTP, para qual o Governo ainda ontem apontou de forma clara, com o estrangulamento financeiro que se adivinha, com Balsemão a insistir na recusa de partilhar poder com a Ongoing de Luís Vasconcellos, a Globo pode vir a constituir-se como a salvação definitiva de um grupo que é uma referência em Portugal.

Seria, em certa medida, um regresso às origens. Talvez já não emocional, mas seguramente estratégico.

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