Quando a China ia ao Iowa aprender a criar porcos

Quando o jovem Xi Jinping posou em 1985 para o fotógrafo do Mouscatine Journal, para ilustrar a visita da delegação da província de Hebei ao Iowa, a China era já um fenómeno, com a economia a crescer 13% ao ano.

Mas a súbita riqueza trazida pelas reformas de Deng Xiaoping não permitia ainda que o país fosse além do sétimo PIB, atrás da Itália e muito, muito longe desses Estados Unidos que o futuro presidente chinês visitava para aprender como criar porcos e produzir mais milho.

Se talvez se adivinhasse a ascensão da China, poucos, porém, imaginariam a derrocada da União Soviética, mesmo que a eleição de Mikhail Gorbachev para secretário-geral do PC fosse um sinal da necessidade de mudança (tinha 57 anos e sorria, ao contrário dos três septuagenários que o antecederam). E também parecia estar muito longe o fim do apartheid, com Nelson Mandela a recusar mais uma oferta de libertação.

Nesse mundo de há 30 anos, destacavam-se líderes como João Paulo II, Ronald Reagan, Margaret Thatcher, Helmut Kohl, Rajiv Gandhi, Fidel Castro ou o ayatollah Khomeini; e sucediam-se, como hoje, as tragédias, desde o sequestro por um grupo palestiniano do paquete Achille Lauro, à explosão de um avião da Air India e à queda de um da Japan Airlines, passando pela Guerra do Afeganistão e a fome em África. Para ajudar às boas consciências, Michael Jackson e Lionel Richie compuseram We Are the World e meses depois os concertos Live Aid ficariam na memória.

O ano de 1985 foi também aquele em que Steve Jobs deixou a Apple, para só regressar uma década depois, ainda mais genial. O mundo, entretanto, mudou tanto que hoje a Apple quase só produz na China e esse país, segundo PIB mundial, é também o segundo comprador dos iPhone e iPad. Quando agora vai aos Estados Unidos, Xi já não fala de milho.

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